The Members - O som dos subúrbios

  

Formada em Camberley (espécie de cidade satélite de Londres) em 1976 por Nicky Tesco (vocal) e J.C (guitarra) o Members foi uma das melhores bandas da primeira era punk. Embora muito comparados ao Clash pela monstruosa influência reggae que tinham no som, a banda é muito mais que um genérico do conjunto de Joe Strummer. O Members é a autêntica banda dos subúrbios londrinos dos anos 70, e embora tenha sido um pouco ofuscada pelo sucesso de bandas maiores como o próprio Clash e o Sex Pistols no meio de toda aquela explosão punk na época, gravou seu nome na história do punk rock.

No início, a banda sofreu por inúmeras alterações na formação até estabilizar com Nigel Bennett no baixo, Chris Payne na segunda guitarra e Adrian Lillywhite na batera. A primeira aparição em vinil foi na histórica coletânea "Streets" de 1977 com a sensacional "Fear In The Streets", um manifesto contra as gangues neonazistas que se formavam na época. Aliás, o Members foi sempre uma banda que deixou um pouco de lado a politicagem em suas letras, ao invés disso, retratavam em suas letras o cotidiano dos subúrbios londrinos e eventuais tirações de sarro.



Ainda em 1977 lançaram um compacto com "Solitary Confinement" e "Drain Pipe", pela lendária Stiff Records, a grende responsável pelo lançamento de muitas bandas punks daquela época. Já no final de 1978 tinham uma certa fama no Reino Unido e foram contratados pela Virgin, e o primeiro lançamento pela nova gravadora foi o clássico compacto "Sound of the Suburbs", talvez o maior clássico dos caras, que fala sobre o cotidiano suburbano. O compacto vendeu na época cerca de 250 mil cópias, o que ajudou e MUITO a banda a ter todo o apoio necessário para gravar o primeiro disco, "At Chelsea Nightclub".



"At Chelsea Nightclub" foi lançado em 1979 e não canso de me dizer, é um clássico da primeira era punk e um dos meus discos preferidos de todos os tempos. Aqui no blog não costumo comentar muito dos discos, mas esse em especial me vejo obrigado a comentar faixa a faixa. O disco abre com a instrumental "Electricity" e já emenda com "Sally", que mostra toda a sagacidade da banda ao misturar a energia do punk rock com alguns acordes simples de reggae. Não podemos negar que o Members abriu caminhos para o "movimento" 2 Tone e para o que mais tarde seria chamado de "ska-punk" nos anos 90, "Sally" é a prova disso. "Soho A Go Go" é um pouco mais melódica, porém ao mesmo tempo pesada, e "Don't Push" é Clash total. O ponto alto do disco chega agora, com "Solitary Confinement". Com arranjos de arrepiar os pelinhos do saco mesclando punk rock com reggae com muita sagacidade, a letra também merece destaque. Fala sobre uma situação muito vivida na época. Garotos suburbanos tinham brigas com seus pais e familiares, iam morar na grande Londres e acabavam encontrando problemas na cidade grande e se perdiam na solidão da metrópole. A situação foi vivida pelo próprio Nick e é basicamente uma autobiografia do mesmo. Uma das melhores canções de todos os tempos.



"Frustrated Bagshot" vem à seguir e mostra um punkabilly afiado, seguido de "Stand Up and Spit", um reggaezão bem maconheiro, pra acender aquela bomba "labrador" estilo Cheech & Chong. "Sound Of the Suburbs" é a próxima e eu nem vou comentar porque é simplesmente um clássico do punk rock. "Phone In Show" é uma descontraída música sobre masturbação com bastante swing e bastante empolgante. "Love In A Lift" é a mais calminha do disco, mas ainda sim do caralho. Tem ótimas variações e ótimos riffs, Clash total também. "At Chelsea Nigthclub" encerra o disco com estilo, com um punk rock nervoso, agressivo e perfeito para pogar.

O disco foi bem recebido e a banda ficou sendo idolatrada pela molecada suburbana. É um disco que considero essencial para quem quer ser entendedor de música e em especial punk rock, como já disse e nunca vou cansar de dizer, um clássico, um dos meus discos preferidos dentre todos.

A banda continuou na ativa até 1983 e nisso lançaram alguns singles ainda em 1979, pouco tempo após o lançamento de "At Chelsea Nightclub". Eram eles "Offshore Bank Business", um ska foderoso que já prenunciava a explosão 2 Tone e um compacto extremamente punk rock street com "Killing Time" e "GLC". Em 1980 lançaram "The Choice Is Yours", um disco que, não é ruim, é bom até, mas não consigo gostar tanto como o "At Chelsea Nightclub". O disco tem certos flertes com new wave, produção fraca e não chega nem perto de seu antecessor, mas não deixa de ser um bom disco, que vale a pena ser conferido. O disco teve mais repercussão nos EUA do que na Inglaterra, ao contrário do antecessor, e não vendeu tanto quanto o primeiro. O contrato com a gravadora não demorou a ser rompido e à partir de 81 a banda virou uma merda total, abandonando completamente o som dos subúrbios, uma merda grande e fedida que não vale nem a pena comentar sobre.


Enfim, deixo pra vocês "At Chelsea Nightclub", um dos maiores e melhores discos punks da história. Ouçam e digam se tenho ou não razão (é claro que eu tenho, porra! mas...).

P.S.: os links dos posts sobre o Poison Idea, Damn Laser Vampires, Sonic's Rendezvous Band e do box Nuggets estão re-upados no novo servidor. À partir de agora todos os arquivos que eu subir serão upados no Zippyshare, um servidor bem underground e por isso sem frescuras. Obrigado pela paciência de todos.

5 thoughts on “The Members - O som dos subúrbios”

  1. Members é foda! Só ouvi o At Chelsea Nightclub, e nunca achei o The Choice is Yours...

    Curiosidade: Adrian Lillywhite é irmão do famoso produtor Steve Lillywhite... se não me engano foi ele que produziu a "Fear on the Streets".

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