Subhumans - Mais punk canadense


Poucos dias atrás fiz um post do D.O.A. aqui no blog, e pra dar uma espécie de "sequência" para o post, hoje vou falar do Subhumans, já que é praticamente impossível falar da história de uma sem ao menos citar a existência da outra, é algo tipo Bonnie & Clyde ou Goleiro Bruno e Macarrão, saca? As duas estão interligadas, foram pioneiras no Canadá e extremamente importantes para o cenário punk de lá.

Joey Shithead (do D.O.A.) e Gerry Useless (que tocou baixo no Subhumans) são amigos de infância e juntos se iniciaram no mundo do rock 'n' roll e da política. Nos anos 70, eles e outros amigos moraram em comunidades no campo, em Cherryville, nas montanhas canadenses, estilão hippie. A diferença é que não eram da turma da paz e do amor (apesar de curtirem o cachimbo da paz) e acabaram causando as mais diversas confusões por lá. Porém o mais importante para essa história é que lá eles tiveram diversas bandas, que não vingaram, mas mostraram para os amigos que o que eles queria mesmo era fazer um som. Após diversos problemas com a polícia e com os moradores da região, aliado ao inverno extremamente rigoroso de lá, decidiram voltar para Vancouver.

Em 1976, no retorno à Vancouver, os amigos começaram a ouvir grupos como os Ramones, Stooges, MC5 e decidiram entrar nessa praia também. Nessa, decidiram formar o The Skulls, que contava com membros do D.O.A. e do Subhumans, porém sem Gerry, que não estava muito familiarizado com o tal de punk rock, novidade na época. O The Skulls foi a primeira banda punk do Canadá e contava com Joey Shithead, Brian Goble, Ken Dimwit e Kent Montgomery. O The Skulls teve vida curta porém lançou sementes, como sabemos Joey fundou o D.O.A. e os demais membros (com excessão de Kent) formaram o Subhumans, e mais tarde, já nos anos 80, Brian e Dimwit entraram para o D.O.A, após o fim do Subhumans.

Porém, voltando um pouco atrás, em 1977, o Skulls tinha se mudado para Toronto, e Gerry também estava por lá e já tinha se familiarizado com o punk e também queria entrar nessa onda. Tinha até feito duas músicas, "Fuck You" e "Slave To My Dick" (as duas gravadas pelo Subhumans). Eles gostaram tanto das músicas que resolveram formar uma outra banda (sem acabar com o Skulls), o Wimpy and The Bloated Cows, com Gerry no baixo, Joey na bateria, Brian Wimpy no vocal e Simon na guitarra. Não durou muito, mas logo após o fim dessa empreitada e também do Skulls todos tomaram os seus caminhos e a história começa de verdade.


 
Depois da experiência em Toronto a gurizada volta para Vancouver e montaram suas respectivas bandas. Brian, Gerry, Dimwit e Mike Grahan montaram o Subhumans em 1978, e em pouco tempo já se tornaram uma das bandas preferidas do punks canadenses, junto do D.O.A, tanto pelo som, como pelas letras, de conteúdo político e intelegente. Em 1978 lançaram apenas um single, com as faixas "Death to the Sickoids" e "Oh Canadu". Pouco depois, Dimwit deixa a banda e em seu lugar entra Jim Imagawa. Com essa formação, em 1979 lançaram o EP auto-entitulado com as faixas "Fuck You", "Slave To My Dick", "Inquisition Day" e "Death Was Too Kind", um single com os sons "Firing Squad" e "No Productivity" e ainda um LP, o "Incorrect Toughts", um clássico. Com isso conseguiram uma tour pela costa oeste dos EUA ao lado de bandas como o Dead Kennedys, X, Avengers e Black Flag, o que deu à eles uma boa visibilidade e reconhecimento.
 

E quanto mais experiência ganhavam, mais politizados ficavam, e isso não se resumia a fazer punk rock, todos os membros da banda tinham fortes ligações com grupos políticos, anarquistas e ambientalistas. Porém o mais radical de todos sempre foi Gerry, que inclusive saiu do Subhumans no início de 1981 ao se envolver com um grupo de causas anarquistas e ambientalistas chamado Direct Action, que pregava ações diretas contra o sistema. Isso incluía sabotagem à industrias poluidoras e armamentistas, por exemplo. Era uma espécie de "guerrilha urbana" cujo o principal alvo era as grandes corporações e outras instituições ligadas a cultura de consumo capitalista. O grupo ficou conhecido como Squamish Five pela mídia, por terem sido capturados pela polícia em 1983 em Squamish, uma pequena cidade do interior canadense, após diversos atos quase terroristas, acreditando que apenas causando danos físicos e financeiros ao "inimigo" poderiam destruí-lo. Na realidade, também compartilho da mesma ideia, que só podem haver mudanças através de ação direta, e não através de reclamações em redes sociais sobre algo que muitos nem sabem do que se trata, porém isso não vem ao caso e a diferença é que eu não tenho culhões pra isso, mas admiro quem tem. De qualquer forma, o grupo causou vários atentados (sem causar vítimas), e dentre os mais conhecidos, a explosão de uma represa (ainda em construção) em Vancouver, que segundo os ambientalistas poderia causar grandes danos ao meio ambiente e cujo os prejuízos ultrapassaram os cinco milhões de dólares (!!!) e um atentado à bomba contra Litton, uma fábrica de mísses à serviço dos EUA. Além de Gerry, faziam parte do grupo Ann Hansen, Brent Taylor, Juliet Belmas e Doug Stewart. 

Hoje em dia todos estão livres e já cumpriram suas penas. Gerry foi condenado à 10 anos de prisão dos quais cumpriu 5. Retomando o post do D.O.A, em 1983, a banda lançou um EP beneficente em prol da liberdade dos guerrilheiros, chamado "The Right to Be Wild", inclusive falei um pouco sobre a história naquele post, mas aqui tratei de contar com maiores detalhes... Enfim, foda-se.

(Squamish Five)

Agora deixando um pouco a politicagem de lado e falando sobre música, o Subhumans não encerrou as atividades com a saída de Gerry e de Jim, que também abandonou o barco por conta de problemas pessoais. Em seus lugares, entraram o baixista Ron Allan e o batera Randy Bowman. Com a nova formação, a banda lançou o LP "No Wishes, No Prayers", tão bom quanto o primeiro. Porém o Subhumans chegou ao fim em 1982, antes mesmo de uma tour para promover o disco, assim que Brian Goble aceitou o convite para entrar no D.O.A, que já havia virado uma banda muito maior que o Subhumans e já fazia turnês longas por todo o continente norte americano e também pela Europa.



Porém em 1995 a banda retorna às atividades, com Gerry no baixo, Brian no vocal, Mike Graham na guitarra e Jon Card (ex-D.O.A.) na batera, inclusive estão até hoje em atividade e tem lançado novos discos, por sinal ótimos, apesar de um pouco afastados das raízes punks da banda e apostando num som mais rock 'n' roll, embora ainda completamente politizado. Quem tiver curiosidade de sacar os novos trampos dos caras, eles lançaram em 2006 o "New Dark Age Parade" e em 2010 "Same Thoughts Different Day", esse último na realidade, uma regravação de músicas antigas da banda.

Deixo aqui o primeiro disco da banda, "Incorrect Toughts", de 1979, uma verdadeira obra prima do punk rock canadense e mundial.

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