The Testors - Punk rock lo-fi, sujo e destrutivo


Sonny Vincent é um dos músicos mais ativos da primeira era punk. Está envolvido com essa arte destrutiva do punk rock desde 1975, quando a coisa estava tomando forma, e até hoje o cara continua mandando brasa, inclusive fazendo shows por aí, já teve vários projetos (o mais recente deles, Sonny Vincent and the Bad Reactions, que lançou um 7'' no ano passado), lançou muito material em carreira solo, e já gravou com gente como Wayne Kramer (MC5), Lou Reed, John Cale (Velvet Underground), Greg Ginn (Black Flag), Brian James (The Damned), Scott Asheton (The Stooges), Cheetah Chrome (Dead Boys) e Thurston Moore (Sonic Youth), só pra citar alguns. A obra do cara é bastante interessante, e seu legado é grande e talvez até invejável, mas Sonny Vincent jamais passou do status de lenda "cult" entre os fãs de punk rock e sua história e seu legado não são muito comentados, certamente pelo fato de o cara ser muito louco e carregar consigo diversas tretas, porém, mesmo assim, creio que a obra do cara merece ser reconhecida e respeitada.

O Testors foi a primeira banda do nosso herói, formada em 1975, em Nova York, quando o punk rock começava a tomar forma e na época, não passava de algo local, e talvez nem tinha a pretensão de se tornar algo gigante, como acabou se tornando. Além de Sonny, que era o guitarrista e vocalista do Testors, completavam a banda Gene Sinigalliano nas guitarras e Gregory R nas bateras. Isso mesmo, no início a banda não contava com baixista. Os primeiros shows da banda foram no CBGB's e no Max's Kansas City com as bandas mais broncas e doidonas daquela cena, como o Teenage Jesus and the Jerks, The Cramps, Suicide e os Dead Boys.



Em 1977, a banda já conseguia concertos como a banda principal da noite, porém nesse ano Sonny ficou um tempo preso por vandalismo e porte de drogas, o que levou a banda a ficar um tempo parada. Além disso, os outros membros da banda também não eram santos: um ano depois, em 1978, Gregory teve que sair da banda pois estava envolvido em diversas tretas violentas e teve que deixar a cidade (!!!). Em seu lugar entra Jeff Couganhaur, que era de Cleaveland, e decidiram também adicionar um baixista, Ron Pieniak, que era um pintor surrealista amigo de Sonny, que inclusive dividiam o mesmo loft em Nova York. Porém Ron não ficou muito tempo na banda pois decidiu ir para a Califórnia já em 1979 e foi substituído por Kenneth Brighton. Em 1979 também rolou uma tour pelos EUA junto com os Dead Boys, que acabou sendo bastante caótica, regada à muitas drogas e as mais diversas tretas com a polícia.



Em 1980, o Testors lançou seu primeiro compacto, com as músicas "Time Is Mine" e "Togheter", e continuaram tocando o terror por aí, inclusive chegaram a dividir o palco com o lendário Iggy Pop. As coisas estavam indo muito bem e a banda tinha tudo pra dar certo, porém Sonny, cada vez mais insano, arrumava treta atrás de treta. No ápice de sua loucura, em um show dos Testors, Sonny simplesmente ATEOU FOGO no palco do CBGB's, assim, no maior estilo Gurizada Fandangueira. O resultado foi que Sonny acabou sendo internado em um hospício para observação e tratamento, e o Testors encerrou suas atividades. Após voltar às ruas, Sonny montou o Sonny Vincent and the Extreme em 1982, mas aí ja é outra história...



Apesar das loucuras de Sonny terem impedido a banda de ir mais longe, o Testors estava à frente do seu tempo. O som deles era muito mais agressivo do que o de todas aquelas bandas da época, chegando a beirar o hardcore em alguns momentos, e com certeza foram uma banda crucial para a formação do punk rock, e uma das melhores da primeira era punk. Basta ouvir petardos como "Primitive", "MK Ultra" ou "Bad Attitude" (mais tarde, coverizada pelos noruegueses black metal do Darkthrone, quem quiser conferir a versão, deleite-se) para ver se tenho ou não razão. Embora o único lançamento da banda na época tenha sido o single 7'' de 1980 com "Time Is Mine" e "Togheter", mais tarde, Sonny tratou de lançar material póstumo da banda. Gravações lo-fi, apresentando canções sujas e agressivas, como o punk rock deve ser. Trago hoje para vocês a coletânea "Complete Recordings: 1976-1979", coletânea dupla lançada em 2003 pela Swami Records reunindo tudo que a banda gravou, inclusive alguns registros ao vivo. Deleite-se!

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