A barulhenta orquestra guitarrística dos Hangovers


Ainda na pilha do belíssimo rolê de sábado (23/03), que toquei junto com esses meliantes e foi LINDO, tive a ideia de dedicar um post do blog para esses grandes amigos e que lançam uma sonzeira FODIDA, e é particularmente uma das minhas bandas preferidas da cena porto alegrense.

Conheci a Hangovers em junho do ano passado, quando fui no show da Futuro que rolou aqui por essas bandas. Tinha colado lá pra ver a Pupilas Dilatadas, os Ornitorrincos e é claro a Futuro, mas como sempre cheguei cedo no rolê pra sacar as outras bandas. A Hangovers era uma delas. No momento que os caras subiram no palco, já me chamaram a atenção. Não sabia o que esperar de uma banda instrumental, e que ainda por cima não tinha baixista. Só vendo pra ver qual era. Assim que os primeiros acordes começaram a soar, não deu outra, pirei no som, entrei num transe epifânico e quando menos percebi já estava tendo vários espasmos e orgasmos auditivos. Foi a maior surpresa da noite pra mim, me senti na obrigação de trocar uma ideia com os caras depois, e a semana toda aquela música alta, pesada e barulhenta ficou ecoando na minha cabeça.

Contada minha história de amor com o som dos caras, vamos falar um pouco da banda. A Hangovers é recente, foi formada em 2010 por Theo Portalet e Gabriel Lixo nas guitarras e Liege Milk na batera, influenciados por Melvins, Kyuss, Mudhoney, TAD, Helmet, Nirvana, QOTSA, Jon Spencer Blues Explosion e Sepultura. Daí você me pergunta, "Mas que porra de som esses caras fazem? Grunge? Stoner? Sludge?". Não sei, mas esses caras mandam um som demoníaco, transcedental e epifânico, cheio de peso, ótimos riffs transpirando toda aquela loucuragem e porralouquice dos anos 90 por conta do Theo e do Lixo (e agora também do Andrio), além da bateria frenética e alucinada da Liege, uma das melhores bateristas que já vi em ação, mostrando que mulher também pode tocar batera e muito bem, colocando muito "home" no chinelo. Pra deixar tudo ainda mais lindo e delicioso, o demente do Theo ainda liga a guitarra em um amplificador de baixo, deixando o som ainda mais pesado.
 


A banda lançou em 2011 seu primeiro EP, "Bebendo Socialmente", que foi muito bem recebido pela galera, permanecendo por 2 semanas seguidas no topo das mais ouvidas no Trama Virtual (R.I.P.) e até foi indicado na Rolling Stone de abril daquele ano. É o EP mais longo da banda, com 6 músicas e 15 minutos de duração mais ou menos. É o meu preferido também. Muito bem produzido, destilando peso, medo, delírio e loucura, conta com belíssimas faixas como "Chico Bento terá sua vingança em Seattle" (uma das minhas preferidas), "Eis-me a transpirar tal qual um suíno" e "Puta de Óculos", que ao vivo já me proporcionaram muitos espasmos e transes epifânicos. Uma das melhores coisas que saíram daqui nos últimos anos, de fato.

A banda em 2011 ainda lançou o EP "Academia Brasileira de Tretas", com três faixas, gravadas ao vivo durante a segunda passagem da banda em São Paulo. Muito bom também. Ano passado, lançaram apenas um single virtual, chamado "Tomara que eu acerte!", e o Lixo também ficou afastado da banda por um tempo... No seu lugar entrou o Andrio, que tocava na Superguids e atualmente também toca na Medialunas com a Liege (banda que em breve, também terá seu espaço aqui). Ainda no final do ano passado, Lixo retorna para a Hangovers e agora a banda conta com três, isso mesmo, TRÊS guitarristas, adicionando muito mais peso ao som e criando uma verdadeira parede sonora de loucura e insanidade. Dizem por aí que estão gravando algo com essa formação. Estamos no aguardo...
 


Para ouvir o som da Hangovers, aqui está o soundcloud da banda, onde você pode ouvir os dois EPs, "Bebendo Socialmente" e "Academia Brasileira de Tretas". E se você tiver a oportunidade: faça um favor à você mesmo e VÁ NOS SHOWS DESSES CARAS. Essa banda já tem um espaço especial no meu coração e acho que vocês deveriam abrir esse espaço também. Altamente recomendado pela equipe do Bad Music.

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