"I never travel far, without a little Big Star"


Num mundo justo, o Big Star seria uma das bandas mais lembradas e reverenciadas da história. Mas como vivemos num mundo fodido e cruel, foram esquecidos pelo tempo e são lembrados por poucos, embora tenham o status de banda "cult".

Formada em Memphis no ano de 1972 por Alex Chilton, guitarrista, compositor e vocalista, que já tinha tido experiência em carreira solo (embora sem sucesso) e antes disso no Box Tops (grupo que atingiu um certo sucesso no final dos anos 60 com músicas como "The Letter" e "Soul Deep"), junto com o guitarrista e vocalista Chris Bell, o baixista Andy Hummel e o baterista Jody Stephens, e altamente influenciados por grupos como o The Who, Byrds, Beatles e Beach Boys, o Big Star foi um dos melhores grupos que os anos 70 poderiam ter nos apresentado. Basicamente reinventando o pop dos anos 60, a banda apostava em músicas simples, com melodias e refrões grudentos, executando aquilo que hoje em dia chamamos de powerpop. Numa época em que os malditos hippies e os chatos do progressivo destruiam o rock 'n' roll e jogavam-o ao tédio e ao ostracismo, além da péssima distruibuição que os discos do Big Star tiveram pela gravadora, fizeram com que o grupo passasse batido, apesar das boas críticas. A banda certa na hora errada... Mas, vamos falar um pouco sobre a história da banda.



Logo de início, Alex Chilton e Chris Bell perceberam que havia uma grande química e afinidade entre os dois e começaram a escrever os sons juntos. Em pouco tempo já tinham material suficiente para lançar um disco. "#1 Record" foi gravado e lançado pela Ardent, selo vinculado à Stax, no ano de 1972 mesmo e é um dos melhores discos da história, sem exageros. Com canções simples, ótimas melodias e composições sensacionais que simplesmente grudam na cabeça, é um disco memorável, genial e viciante. "Feel", "The Ballad of El Goodo", "Thirteen", "In The Street", "Don't Lie To Me" e "My Life Is Right" estão entre as melhores canções dos ano 70. O disco foi bem recebido pela crítica, porém, foi distribuído de forma extremamente porca pela Stax, o que acabou acarretando em péssimas vendas. Além disso, como falei no parágrafo acima, no início dos anos 70 poucos se interessavam por esse tipo de som, todos queriam era fumar maconha e ouvir Jethro Tull, Pink Floyd ou alguma outra merda do tipo. Uma obra prima que passou batida.



Bell, enfrentando problemas de depressão e com drogas, desapontado com as baixas vendas do disco e ainda em conflitos com Chilton, decidiu largar o Big Star para tentar seguir carreira solo. A banda se dissolveu por um curto período de tempo, mas logo Chilton reuniu a rapazeada toda e em 1974 lançaram seu segundo disco, o igualmente maravilhoso "Radio City". Que também não vendeu nada... Pra piorar, Hummel decidiu sair da banda e o selo Ardent faliu quando a banda estava prester a lançar seu terceiro disco, ainda em 1974.



Após o fim do Big Star, Bell chegou a reatar os laços com Chilton e também a gravar um disco solo chamado "I Am The Cosmos". Porém, no mesmo ano que o disco foi gravado, em 1978, Bell morre em um acidente automobilístico. "I Am The Cosmos" só seria lançado em 1992. Ainda em 1978 Chilton foi para Nova York onde começara a frequentar bares como o CBGB's e se identificou com a cena punk que se formava por aquelas bandas, recém dando seus primeiros passos. Inclusive, Chilton virou um grande fã do Cramps, chegando até a produzir os primeiros trabalhos da banda. Também em 1978, com o interesse tardio que o público começava a ter pela banda, foi lançado, enfim, "Third/Sister Lovers", o terceiro disco do Big Star, que até então permanecia no limbo. Os primeiros trabalhos da banda, "#1 Record" e "Radio City" também foram reeditados. A banda atingiu um status "cult" que é mantido até hoje, tendo influenciado nomes como Hüsker Dü, Replacements (que inclusive fizeram uma canção tributo para Chilton e sua trupe, da qual inclusive um verso eu tive a liberdade de "pegar emprestado" para o título desse post, hehehe), R.E.M, Primal Scream e Teenage Fanclub.

A banda se reuniu novamente em 1993, com apenas Chilton e Stevens da formação original, ao lado de membros do The Posies (o guitarrista Jon Auer e o baixista Ken Springfellow). Chegaram a gravar um disco ao vivo naquele ano, "Columbia - Live At Missouri Univiversity 4/25/93", lançaram em 1999 uma coletânea de registros ao vivo e ensaios chamada "Nobody Can Dance" e, em 2005, entraram em estúdio para gravar um disco de inéditas, chamado "In Space". Por sinal, muito bom. A banda encerrou as atividades de vez em 2010, com a morte de Chilton, por conta de problemas cardíacos. No ano passado, foi lançado um ótimo documentário sobre a banda, chamado "Nothing Can't Hurt Me", dirigido por Drew DeNicola e Olivia Mori.



Para conhecer o trabalho do Big Star, deixo aqui os clássicos injustiçados "#1 Record" e "Radio City". Baixe, ouça e diga-me se estou errado ao afirmar que essa foi uma das melhores bandas que os anos 70 poderiam ter produzido. Mas já adianto que as possibilidades de você discordar disso são bem poucas...


Ah, sim! Em tempo: o nome Big Star foi inspirado em um supermercado que ficava nas proximidades do estúdio de onde a banda ensaiava e posteriormente gravou seus discos.

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