Mil vezes fazer do que aprender! - Entrevista com Daniel Villaverde


Daniel Villaverde é uma figura icônica no underground gaúcho. Vocalista da Ornitorrincos, dono do selo Punch Drunk e agitador da cena gaúcha desde os anos 90, o cara é um dos maiores entusiastas e conhecedores do underground nacional.

Recentemente, sua banda, Ornitorrincos, uma das minhas bandas favoritas daqui de Porto Alegre, lançou um EP em vinil 7'', de 5 faixas, que com certeza é um dos melhores lançamentos de hardcore do ano. Com uma pegada meio Dead Kennedys, meio Black Flag, e cantadas num portunhol bizarro, essas 5 cantigas do EP 7'' vão proporcionar ao underground gaúcho muito pogo e danças pitorescas em qualquer evento que a banda vier a se apresentar. A bagaça saiu em tiragem limitadíssima pela Punch Drunk Records e pelos selos argentino e europeu Ideas Venenosas e Crapoulet Records, 300 cópias apenas, que já estão quase esgotadas, mas pode ser ouvida de graça no bandcamp da banda. 

Aproveitando a ocasião do lançamento do disquinho, entrevistamos Daniel Villaverde e falamos sobre a banda, seu envolvimento com o underground, sobre o seu selo e diversas marotices. Confira!


Você já em um longo histórico no undeground gaúcho, tendo tocado entre várias bandas notáveis como a Scream Noise, Facão Três Listras e atualmente está tocando na Ornitorrincos, que está na ativa desde 2002 (apesar do hiato entre 2010 e 2012) e hoje tem um certo destaque na cena underground nacional. Como começou seu envolvimento com o underground e o hardcore e como?

Daniel - Com uns 7 anos eu comecei a escutar os vinis do meu irmão mais velho: discos de bandas gaúchas que estavam surgindo na época, como Defalla, TNT, Cascavelletes, Replicantes... Esse foi o meu primeiro contato mais direto com a música. Lembro que a primeira musica rápida, hardcore que eu escutei foi na coletânea "Rock Garagem II" o som "Todo Mundo Saca" do Atahualpa Y Us Panqui. Mas acho que a primeira vez que isso realmente bateu forte em mim foi com 14 anos, escutando o "Fresh Fruit..." do Dead Kennedys, quando um amigo que andava de skate comigo me emprestou. Virou minha cabeça do avesso. Comecei a me corresponder com bandas, fazer zines juntamente com o Gustavo Insekto (baixista da Ornitorrincos), meu amigo de infância. E tô nessa até hoje, por bem ou por mal, hehehe.

O que motivou você e seus amigos a montarem a banda? Quais são as principais influências? Qual é a razão ou motivo da maioria das músicas serem em "portuñol"?

Daniel - A gente notou que não tinha muita banda no Brasil tocando o velho hardcore old school no estilo americano, sempre piramos em bandas como Dicks, D.I, Black Flag, Reagan Youth, T.S.O.L, Germs, Void.... Só para citar algumas. O motivo de cantar em portunhol é porque achamos que o espanhol é uma língua forte para cantar. Gostamos muito de bandas que cantam nessa língua, como o Los Violadores e Massacre Palestina da Argentina, por exemplo. E outra razão é que com o proximidade geográfica e principalmente pela afinidade que temos com as cenas de países vizinhos achamos interessante cantar em portunhol, mesmo que alguns amigos "hermanos" não entendam, hehehe.

A banda permaneceu um tempo parada, entre 2010 e 2012, e vocês voltaram com nova formação. Quais foram os motivos desse tempo parados e o que motivou a banda para retomarem as atividades?

Daniel - Na realidade tivemos dois hiatos: a banda começou em 2002 e parou em 2003, porque Zé Ulisses, o guitarrista, foi morar em Curitiba. Quando ele retornou para Porto Alegre em 2007 retomamos as atividades. Ele saiu da banda em 2010 e voltamos a tocar em 2012 com o velho amigo Guilherme Gonçalves, que acompanha a banda desde o início. Decidimos continuar a tocar, porque é um saco ficar sem tocar, hehehe.


(primórdios...)


A banda recentemente lançou um EP 7'' com cinco faixas (que já esta à venda em Porto Alegre nas lojas Classic & Rock, Tamba Discos e Boca do Disco), e inclusive farão o show de lançamento do EP no dia 12 de dezembro no Signus Pub junto das bandas Viruskorrosivus e Campbell Trio. O EP teve boa recepção do público e já está cativando novos fãs. O que motivou vocês a gravarem este EP e qual foi a reação da banda com essa boa recepção que o disquinho têm recebido? Vocês já esperavam por algo do tipo?

Daniel
- Logo que voltamos a tocar decidimos fazer essas 5 músicas o mais rápido possível e gravar. O disco saiu tem menos de duas semanas e já vendemos muitas copias, tanto pessoalmente como pelo correio. Não esperavamos esse tipo de recepção. Restam poucas copias ainda, já que a maioria ficaram com os selos da Argentina (Ideias Venenosas) e da Europa (Crapoulet Records) que ajudaram a lançar. No show de lançamento vamos estar vendendo à preço promocional! Aproveitem!


Você organiza shows em Porto Alegre com certa frequência já faz um bom tempo, e antes disso já organizava shows em sua cidade natal Santo Antônio da Patrulha, era um fanzineiro ativo nos anos 90 e início dos anos 2000, chegou a ter inclusive loja de discos e fundou um próprio selo, a Punch Drunk Discos, ativo até hoje. Fale um pouco sobre isso tudo:
 
Daniel - Eu comecei a organizar show desde 1995 lá em Santo Antônio, simplesmente pelo fato de não ter shows lá na época: ou a gente morria de tédio, e ficava reclamando, ou a gente se mexia e fazia as coisas acontecerem. Foi o que a gente fez. Tive sorte de passar a minha adolescência numa cidade de interior. Talvez se tivesse morado em Porto Alegre desde novo, eu simplesmente apenas iria nos shows e não me preocuparia em produzir nada. Tive uma loja de discos lá entre 1996 e 1998. Na época o dólar estava baixo e trabalhava com importados, quando o dólar subiu tive que fechar a loja. Foi um bom aprendizado. A Punch Drunk começou em 2003, inicialmente para lançar a demo split do Facão 3 Listras/Garrancho em Lápide. Fui continuando e lancei alguns materiais em CD e vinil. Também lanço alguns discos virtualmente, sempre de bandas de amigos que admiro, tanto as pessoas como suas bandas.

Quais são as perspectivas da Punch Drunk para o futuro? Pretende ainda organizar shows, lançar discos? E quais são os planos da Ornitorrincos agora, depois do lançamento do EP? Fiquei sabendo que a banda fez algumas novas gravações recentemente...
Daniel - A Punch Drunk acabou de ajudar a lançar o novo EP 7'' dos ornitorrincos, não tenho planos para futuro lançamento agora, até porque meio que um lançamento paga o próximo.... Então tenho que terminar de vender as cópias que tenho comigo para lançar o próximo. Shows eu acho que nunca vou parar de organizar. É um vicio, adoro receber as bandas, hospedar o pessoal, mostrar a cidade, etc. Sinto prazer em fazer isso e poder ajudar... E a Ornitorrincos gravou 3 músicas que sairão em um split 7" com a banda francesa La Flingue, que estará em tour pelo Brasil em fevereiro e tocarão em dois shows com a gente aqui. Também temos 3 sons que vamos gravar para um split tape com os Renegades of Punk que sai até metade do ano que vem. Estamos compondo material para um disco inteiro, a ideia é começar a gravar na metade do ano e tentar lançar ele até fim de 2014. Vamos ver!


(Ornitorrincos e Renegades of Punk)

Além da Ornitorrincos, atualmente, você também tem outras bandas paralelas. Fale um pouco sobre algumas delas.

Daniel - Por enquanto na ativa só a Ornitorrincos mesmo. Eu costumava cantar na Podias Erpior, mas o nosso baterista, o Álcio esta morando no Rio de Janeiro agora, o que torna difícil ensaios e shows. Mas queremos seguir tocando. Tenho um projeto de garage 60's que tá na geladeira já tem um ano, espero voltar a ensaiar com ele em breve.

Recomende alguma(s) banda(s) ou disco(s) pra galera marota que acessa o blog.

Daniel - Vou falar o que tá rolando na minha vitrola nessas ultimas semanas:

Wire - "Pink Flag"
Monks - "Black Monk Time"
Modern Lovers - "Modern Lovers"
Black Flag - "In My Head"
Neon Piss - Neon Piss
Tristess - "Hog Lag Blues"
Youth Avoiders - "Youth Avoiders"
Gizmos - "Never Mind the Gizmos"
Nick Drake - "Pink Moon"
Big Black - "Songs About Fucking "
Zombies- "Odessey and Oracle"

Considerações finais: mande beijos, agradecimentos, deixe contato, algum recado aleatório, ou mande todo mundo ir tomar nas pregas. Espaço livre!

Valeu Maurício pela força! É muito bom ver pessoas jovens como você e o Rodrigo fazerem algo pela cena ao invés de ficarem se escondendo e reclamando pelo fecebook! Parabéns! Abração!



Ornitorrincos é:

Daniel Villaverde - Vocal
Guilherme Gonçalves - Guitarra
Gustavo Insekto - Baixo
Lucas Richter - Bateria

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