Punk? Pós-punk? Psicódelico? Garage? Rakta!


Dentro de qualquer contexto, existem bandas que são únicas, extremamente criativas e muito difíceis de rotular, e dentro do underground nacional atual, o Rakta com certeza é uma dessas bandas inrotuláveis. Alguns até tentam classificar o som das garotas, que começaram suas atividades em 2012. Uns dizem que é pós-punk, outros dizem que é garage rock, uns dizem que é psicodelia, e eu digo que é melhor parar com essa putaria de sair rotulando e curtir o som, já que o som que essas mulheres fazem é extremamente único e diferente de quase tudo que eu já ouvi vindo do nosso Brasil varonil.



Falando um pouco da minha experiência pessoal com o som, conheci Rakta no início desse ano, quando vieram tocar aqui em Porto Alegre, lá pelo final de janeiro ou início de fevereiro, não lembro bem. Antes da banda anunciar os shows aqui, eu sequer tinha conhecimento de sua existência (o que na real é até bem comum comigo, geralmente conheço as bandas pouco antes de virem tocar aqui), tinha ouvido uns sons no bandcamp e achado muito legal, mas não ouvi com a atenção merecida. Isso foi acontecer lá, no momento do show, e caralho... Logo nos primeiros acordes, transcendi. Ao vivo a coisa é inexplicável. É um catarse, energia transcendental pura, um ritual primitivo e selvagem envolvendo experiências únicas. O cara fica imerso naquilo mesmo, quando menos percebe já está dançando, se contorcendo no chão, ou no caso dos mais tímidos, batendo o pézinho. Quem tiver a oportunidade de ver essas garotas em ação, veja! Eu, particularmente, não vejo a hora de que elas voltem pra cá logo pra curtir mais uma vez essa experiência. Desde aquela noite de calor insuportável em Porto Alegre, virei fã. E só não postei o som delas aqui antes por preguiça e vadiagem. Conserto agora meu erro proporcionado pela procrastinação.

O som, como já falei, é inrotulável. A influência pós-punk é latente, mas a banda não se resume a um clone de Joy Division (que foi o que se convencionou a ser chamado de "pós-punk" no Brasil). O som das garotas, muito pelo contrário, é extremamente original e não se parece com nada que eu tenha ouvido antes. O som em si é marcado por linhas de baixo e bateria bem simples, primitivas até, muito reverb, fuzz, ruídos e microfonias no talo, além do uso de teclados, que dão uma atmosfera ainda mais viajante e transcendental ao som. Em outras palavras: sensacional. Não há como ficar indiferente ao Rakta.


A banda, até agora, tem um LP e um single 7'' lançado, que podem ser ouvidos gratuitamente em seu bandcamp. Além disso, parece que a banda está abalando em tudo que é lugar que toca, e andaram fazendo uma tour até pelos States. Fico extremamente feliz por elas. Rakta merece todo o reconhecimento possível dentro do meio underground e tem tudo pra ser um "cult classic" em tempos futuros. Ouça aqui e tire suas conclusões.

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