Cold As Life - Hardcore mosheiro V1D4 L0K4

 
Nesse post novo, vou trazer mais outra banda magnífica da turma do hardcore slam dance. Uma cena feita por muitas bandas onde marmanjos querem parecer os caras que viveram a dureza das ruas, nesse caso, o Cold As Life não só viveu, mas faz parte da violenta história dos guetos.

Vindos de Detroit, esse grupo de hardcore é uma das bandas mais raivosas da era onde Subzero, Sick Of It All e Madball viviam sua ascensão. Formado em 1988 pelo guitarrista Jeff Gunnells e o baterista Roy Bates, muitos passaram pela formação, alguns perderam suas vagas e vidas para o crime, drogas e até pela violência.
 

Musicalmente eles começaram com um hardcore old school com influencias leves de generos como o Oi! e Street Punk, bandas como Warzone e Negative Approach eram notáveis influências. Liricamente a banda falava de coisas bem simples como a cena e a sociedade. Porém essa história toda mudaria depois de uma tragédia.


Em 1993, o vocalista original Rawn Beuty foi assassinado. Três tiros na cabeça enquanto dormia. O suspeito principal foi Richard Werstine, amigo próximo que morava junto com ele. Até hoje não se sabe os motivos que levaram ao assassinato, porém todos os membros e fãs da banda juraram vingança pela morte de Rawn, dedicando músicas como essa para o fugitivo:


Após um tempo parados devido ao choque pela perda de seu companheiro de banda e amigo, Jeff resolveu assumir os vocais e voltar com o Cold As Life. Durante esse tempo de reformas, fizeram pouquíssimos shows pela falta de ensaios e locais para fazer suas apresentações, porém outros diziam que o nível extremo de violência que acontecia nos shows era uma das principais causas para esse escasso número de aparições.
 

Depois de lançarem dois discos: Born to Land Hard e Declination of Independence, a banda resolveu acabar de novo. Raramente fazem shows de reunião pelos mesmos motivos de sempre, além da banda nunca ter conseguido uma formação fixa devido a vida turbulenta e marginal em Detroit. Muitos ex membros foram presos, despedidos pelo excesso de uso de drogas e mais outros foram mortos (além de Rawn, outros três músicos fazem parte da lista de obituários do Cold As Life).

Todos esses acontecimentos fizeram com que os dois álbuns citados fossem alguns dos discos mais brutos da história do hardcore. Timbres graves e pesados, bumbos duplos, vocais guturais e letras que expressam sentimentos de vingança, violência, raiva e indignação com a condição marginal são algumas das marcas registradas do Cold As Life.


Atualmente, está sendo feito um documentário sobre a história da banda e suas lendas urbanas. O filme (chamado de Cold As Life: A Detroit Story) conta com a narração de Lars Fredricksen do Rancid, além de entrevista com membros do Negative Approach, Hatebreed, Agnostic Front, Heresy, Cro-mags, entre muitos outros. O filme está no estágio de pós produção e teve uma campanha no Kickstarter que não conseguiu atingir sua meta e não se tem idéia de quando será lançado.

Aqui deixarei os links para baixar os álbuns Born To Land Hard , Declination of Independence e uma compilação de demos da primeira formação. Desfrutem!

Selos independentes, parte I - Man's Ruin Records


Os selos independentes estão entre os maiores responsáveis por manter a chama do underground acesa. Sempre remando contra a maré, a maioria deles lança e distribui discos de forma completamente DIY. Alguns mais notórios, outros nem tanto, é inegável afirmar que sem eles, sejam grandes ou pequenos, as coisas na música seriam muito diferentes hoje em dia. Creio que tentar explicar o que é e toda a importância dos selos independentes é chover no molhado, ainda mais que hoje em dia estamos todos muito acostumados com esse conceito. Como a proposta desse blog sempre teve a ver com a divulgação da música underground e alternativa em geral, achei que seria uma boa começar uma série de posts sobre selos independentes. Aliás, o Rodrigo já fez isso, num breve post sobre o selo inglês Church of Fuck, só não sei porque só agora decidi aprimorar essa ideia. De qualquer forma, o primeiro post dessa série é sobre o selo americano Man's Ruins Records, um dos mais prolíficos e mais interessantes selos dos anos 90.


O selo Man's Ruin foi fundado em 1994 pelo artista Frank Kozik, assim que se mudou para San Francisco. Kozik se sentia desligado da cena de San Francisco na época, cena que aliás achava uma grande merda, alegando que havia muitos panelismos e muita gente "falando muita merda e não era nada divertido", em suas próprias palavras, diferente de como era no Texas, onde ele era um dos caras mais ativos na cena underground. Kozik se sentia mal por estar parando de frequentar shows e trabalhando apenas fazendo artworks para as bandas na região e decidiu fundar o selo, a princípio, para lançar em vinil material de bandas que ele realmente gostava, na esperança de se envolver com a música de forma íntima novamente.

Um dos diferenciais do selo em relação aos outros da época é que Kozik fazia o artwork de basicamente todos os discos que fossem lançados por ele, além da ausência de contratos e envolvimento nulo em questões internas das bandas. O Man's Ruin apenas lançava os discos, fazia a distrubuição e dividia os lucros com as bandas em 50/50 - uma divisão bastante justa e que acabava sendo benéfica tanto para o selo como para a banda. Por muitos anos essa fórmula deu certo, e o Man's Ruin foi um dos maiores e mais prolíficos selos dos anos 90, tendo um catálogo imenso com bandas dos mais variados estilos, indo do punk ao garage, passando pelo stoner, death metal e hardcore. Muitas bandas bem conhecidas lançaram material pela Man's Ruin, como o Kyuss, Hellacopters, Entombed, High on Fire, Queens of the Stone Age, Fu Manchu, Alabama Thunderpussy, Turbonegro, Zeke e Electric Wizard, por exemplo, assim como algumas bandas totalmente desconhecidas, como o Drunk Horse, Begotten, Soulpreacher e o Hookers. Como vocês podem perceber, há muita diversidade entre as bandas lançadas. Kozik realmente não ligava para rótulos ou ideologias, ou o quão famosa a banda era ou não. Se ele gostasse da banda, lançaria o disco.


Kozik iniciou o selo com o seu próprio dinheiro e nunca teve pretensão nenhuma de crescer com ele. No início, a proposta do selo era lançar apenas material em vinil, mas com o passar do tempo, começaram a lançar os discos em CD também. E o selo foi crescendo de forma natural, na mesma medida que as bandas cujo material foi lançado pela Man's Ruin começavam a ficar mais populares. Mas segundo Kozik, nunca houve planejamento algum, e o selo cresceu no seu próprio ritmo. De início, os discos eram distribuídos pela Mordam, uma espécie de distribuidora de selos independentes, que já trabalhou não só com a Man's Ruin mas também com a Jade Tree e Alternative Tentacles, pra citar alguns selos mais notáveis, além de terem lançado também discos do Faith No More e do Negativland, entre outros. Depois, os discos começaram a ser distribuídos pela RED e pela House of Kicks. Porém Kozik enfrentou uma série de problemas com o selo trabalhando com estas distribuidoras, incluindo má distribuição dos trabalhos do selo. Má distribuição = vendas baixas. Kozik começou a se endividar tanto que já não tinha mais dinheiro para manter o seu escritório e a hospedagem do site do selo, além de estar devendo dinheiro também para a gráfica que imprimia os pôsteres que geralmente vinham com alguns dos lançamentos.

Esses problemas começaram a se agravar em 2001 e levaram o selo ao seu fim definitivo, em 2002. Apesar disso, Kozik nunca passou a perna em nenhuma das bandas dentro do selo. O último lançamento da Man's Ruin foi em 2001, o disco do Begotten, banda de doom metal nova iorquina bastante desconhecida. Atualmente os discos da Man's Ruin estão fora de católogo, mas como Kozik não assinava contratos com as bandas (os direitos autorais das músicas ficavam todos para o artista em questão), alguns discos, como os de bandas como Hellacopters, Turbonegro e Fu Manchu, por exemplo, acabaram sendo relançados por outros selos e gravadoras. Atualmente Kozik, um artista que desde sempre foi ligado à escola do stuckismo, dedica-se apenas ao seu trabalho gráfico, e continua inclusive fazendo artes para as mais diversas bandas do universo underground


Deixo aqui para quem interessar o download da coletânea "After School Special: A Man's Ruin Sampler", lançada em 2000, coletânea de divulgação do selo, contendo alguns sons dos "carros chefe" da Man's Ruin na época: Hellacopters, Kyuss, Queen of the Stone Age, Desert Sessions, Unida, Fu Manchu, Gluecifer, Entombed, Gaza Strippers, entre outros.

Como você ainda sente tanta fé, quando tudo que o cerca já está morto?


A Homicide é atualmente uma das melhores bandas nacionais de grindcore em atividade, isso se não A melhor. O trio anti-musical de São José (SC), que atualmente conta com Diego na guitarra, Sommer no baixo (ambos dividindo os vocais) e Marlon no bate-estaca, realmente surpreendeu muito ano passado com o lançamento do brutal e devastador "O Que O Cerca Está Morto".



A banda iniciou suas atividades em 2006, e a ideia inicial era tocar um thrashcore/crossover com influências de Slayer, Ratos de Porão, Nailbomb, Sepultura e afins. A formação inicial contava com Marlon (guitarra) e William Longen (vocal), além de Fernando (Vesgo) na bateria e Gustavo no baixo. Da formação original, resta apenas Marlon, que hoje é o batera. Ainda em 2007, os dementes começaram a tocar tão podre, tão rápido e tão pesado, levando a violência e agressividade ao extremo, que não tardou muito para adotarem um som mais voltado para o grindcore/death. Com essa mudança de estilo ocorreu também uma mudança de formação que acabou fazendo com que Marlon fosse pra bateria e Diego Valgas entrasse na banda assumindo as guitarras e backing vocais. Hamey Grudtner assumiu o baixo e no mesmo ano saiu da banda por motivos pessoais. Logo William passa para o seu lugar e a banda grava sua primeira demo, “Total Decay”, com bastante influências de death metal, resultando num deathgrind totalmente bruto e ignorante.



Os anos de 2008 e 2009 foram intensos para a banda, com diversos shows com bandas gringas e nacionais, porém, Diego acabou indo pra São Paulo, o que fez com que a banda ficasse parada por um tempo indeterminado. Voltaram em 2011 com a formação atual e mais insanos do que nunca, incorporando ao som influências crust e hardcore em seu grindcore que já tinha muita influências de death. Lançaram então, no ano passado, o maravilhoso "O Que O Cerca Está Morto".



Este é sem dúvida um dos melhores lançamentos de 2012. Foi um disco que me surpreendeu muito positivamente e me encantou, como um bom fã de som rápido, extremo e barulhento no geral. As influências são notáveis: Napalm Death, Nasum, Terrorizer, Cripple Bastards e ROT, com toques de crustcore e death metal, só pra dar aquele requinte de crueldade. Com 18 sons (dentre eles, um cover do Napalm, "Right You Are") e pouco menos de 20 minutos, o disco é uma porrada na cara, além de muito bem produzido. E ainda conta com participações especiais de Cristiano Maffra (do Bandanos) e Thiago Nascimento (do D.E.R) em uma das faixas, "A Lei da Obrigação", uma das melhores aliás. Grindcore sem frescuras, muito bem executado, podre, sujo e agressivo, com letras diretas, "na cara", como tem que ser. Já falei lá no primeiro parágrafo e volto a repetir: A Homicide é uma das melhores bandas de grindcore nacionais em atividade. Ouça aqui o sensacional "O Que O Cerca Está Morto" e diga-me se estou certo ou não. Se você tem ouvidos sensíveis, é um rapaz de família, defensor da moral e dos bons costumes, por favor, fique longe!

Bad Luck 13 Riot Extravaganza - O show mais perigoso que você já viu

Aqui estamos com um post relâmpago apresentando a vocês algo curioso, violento e que fará questionar o fato de você se achar machão por ficar imitando moinhos no circle pit. Preparem-se para o pandemônio...


O Bad Luck 13 Riot Extravaganza é uma banda de hardcore da Filadélfia, formada em 1997, que fazia um mix de hardcore com metal, ignorante, arrastado e sem piedade. Perfeito pra você que curte algo na linha de Merauder, Madball, guturais violentos e afinações baixas.  A formação consistia em 13 ou mais membros ao vivo, no caso é o básico de uma banda (2 guitarras, um baixista, um batera) e o resto era preenchido por vocalistas e "animadores de palco", como assim? Já vou explicar isso, mas antes escute essa pedrada.


Então, o resto do grupo consiste de alguns curiosos animadores de palco que basicamente transformam o show num cenário pós apocalíptico, brigando entre eles mesmos e o público, atirando tralhas (latas de lixo, lâmpadas, cadeiras, mesa) e fazendo peripécias envolvendo fogo (desde malabarismos com sinalizadores até cuspir fogo).  Segue abaixo uma das rápidas apresentações ao vivo deles:


A fama de shows violentos e perigosos não parava por aí, os caras eram tão loucos que eles conseguiram ACABAR COM UM FESTIVAL devido aos seus shows. Vamos por partes... Lá na terra do Tio Sam existia um festival chamado Hellfest (esse, de hardcore, completamente diferente do festival francês que todo headbanger de respeito sonha em ir um dia), e na edição de 2004 o Bad Luck 13 iria fazer seu último show como banda, logo foram uma das atrações principais da última noite. Então, imagina essa banda, com essa atitude de palco, agora numa proporção de um lugar como um ginásio esportivo... Imaginou a cena? 


O caos foi tão grande que a polícia teve que debandar as pessoas de lá, além de quem já tinha fugido do show após a 3ª música (lembrando que o 25 Ta Life iria tocar após o show deles, encerrando a noite para um ginásio quase vazio). O Hellfest (que já tinha começado em 1996, mas apartir de 2000 tomou proporções maiores) teve sua fama tão prejudicada que em 2005 quase nenhum lugar queria ceder espaço pro fest, então, em 2005 rolou a última edição, com um cast diminuto um completo fracasso.


Após esse show, o Bad Luck fez alguns raros shows de reunião, o último rolou em 2011, agora os membros tem outras bandas que tiram certos covers. Rolou uma possibilidade de um DVD comentando a história da banda, vídeos dos shows caóticos e inclusive toda uma narração de como eles ruíram o Hellfest, mas infelizmente ficou só no papel.


O grupo teve dois Full Lengths e alguns EPs. Deixarei aqui links pros discos We Kill Children e Bats On The Dance Floor.

H8000 - Da Bélgica para o mundo

Olá galera, faz tempo mesmo que não posto no blog, mas tenho bastante coisas para apresentar pra vocês nos próximos posts. Hoje vou começar com algo mais amplo mesmo, mas aguardem bastante porrada na cara ou algumas surpresas bem interessantes.


Enfim, vamos começar, hoje vou falar de uma cena que aconteceu na Bélgica e é essencial para o que antigamente era entendido como "metalcore" (antes de vir o festival de breakdowns e plágios baratos do Metal de Gotemburgo), o H8000 (H de hate e o 8000 seria a caixa postal da região de West Flanders) foi uma das cenas mais influentes não só do hardcore belga, mas também tem sua fama cult no mundo. Bandas como Point Of No Return, Heaven Shall Burn, Rise And Fall, Caliban, Maroon, Morning Again e Day Of Suffering são alguns dos nomes já demonstraram apreciação ou influência pela cena. Festivais como o Ieperfest foram sinônimo de encontro de bandas que faziam parte da cena Metalcore (ou hardcore metalizado, como preferir chamar).


Diferente do que era feito, maioria das bandas nessa época misturava o som do hardcore noventista com o peso do Thrash e Death metal, muitas bandas tinham identidades e características bem interessantes. Boa parte delas falava sobre veganismo ou Straight Edge, mas também eram bandas politizadas. Infelizmente boa parte dessas bandas está parada ou faz shows e lançam material com pouca frequência, mas nesse post vou citar alguns nomes importantes e também algumas bandas que recomendadíssimas dessa cena. Vamos lá:

CONGRESS



Formado em 1993 e é uma das bandas mais reconhecidas da cena, faziam um hardcore groovado com aquelas palhetadas alternadas de quem ouviu muito Slayer na hora de aprender guitarra, além de misturas interessantes como solos melódicos, baterias rápidas e a mescla de vocais cantados/rapeados com berros. Uma das pioneiras dessa mescla "metalcore" que fazia jus ao seu prefixo e sufixo, além de a própria banda ter sido formada contra a rotina de bandas youthcrew e pós hardcore na época. Apesar de encerrarem as atividades em 2006, fazem shows de reunião quando possível, o mais recente foi em 2012. Deixarei aqui o link para o disco mais clássico da banda, Blackened Persistance.


LIAR


Formado em 1995, o Liar já rumava para um caminho mais "metalizado" que as outras bandas do gênero. Apesar de um primeiro disco (Falls of Torment), que fazia uma sonoridade típica do hardcore groovado noventista, eles seguiram do disco Invictus em diante se moldando completamente no thrash metal de bandas como Destruction e Slayer, a banda fazia uma música rápida, direta e sem firulas. Aqui o link para download do disco Deathrow Earth


DEFORMITY



Iniciando em 1995 pelo nome de Race Deformity, essa banda é uma das mais pesadas da turma H8000, unindo o hardcore com o peso do Brutal Death Metal. Blast beats comendo solto junto com breakdowns, gang vocals variados entre guturais gravíssimos e berros, talvez o que chamaríamos de "verdadeiro deathcore". O Deformity durou até 2003 e tem 2 discos, uma demo, um EP e um Split. Aqui está o link para baixar o disco Murder Within Sin.


SPIRIT OF YOUTH



Formado em 1990, O Spirit of Youth segue a vibe mais básica de hardcore metalizado, além de serem uma das primeiras bandas da cena, fazendo uma música enérgica e com riffs bem estruturados e com um apelo mais melódico nas guitarras, lançaram dois discos (Source e Colours That Bleed). Encerraram as atividades em 2002. Aqui o link do split deles com o One King Down.


SEKTOR



Não há afirmações dizendo se o nome da banda é baseado ou não no personagem do Mortal Kombat. Enfim, a banda também seguia a linha do hardcore metalizado, apesar de botar requintes bem sutis de Death Metal e passagens melódicas em uma ou outra música. A banda só lançou um disco (Human  spots of rust) em 1997, depois lançaram um split com o Vitality (outra banda H800 da mesma linha). Baixe o disco aqui.


E é isso, deixarei o clipe aqui de outras bandas da cena que não consegui tantos detalhes, mas seria interessante checar:

REGRESSION



VITALITY



SPINELESS


FIRESTONE


Mais adiante tem mais!