Undergang - Um nome, duas bandas e duas desgraças...

Esse post relâmpago vai ser um caso curioso onde descobri duas bandas fodásticas que partilham o mesmo nome. No caso procurava sobre uma delas e acabei descobrindo a outra por acidente, mas enfim. vamos apresentá-las.

Undergang do rolê deathbanger:


Esse Undergang vem da Dinamarca, o power trio foi formado em 2008 com o intuito de fazer um death metal cavernoso e sem piedade. Quem é fã de Death/Doom do nível do Incantation, Asphyx e Bolt Thrower estará mais que satisfeito, até porque os membros do grupo vieram das cinzas de outra banda chamada "Realm Of Chaos".


Blast Beats, guitarras afinadas em cró, trechos cadenciados e arrastados e aquele vocal de nível 8 na escala Richter é o que lhes aguarda nas faixas desses malucos, infelizmente não tenho muito para falar das letras porque é tudo em dinamarquês e não entendo nada.


O grupo lançou dois discos (Indhentet af Døden e Til Døden Os Skiller), uma demo chamada T.D.O.S. e fizeram um split com o Funebrarum. Realmente não tenho muita informação sobre os caras, mas o que importa mesmo é que a brutalidade lhe aguarda quando der play nessas belezinhas. Aqui você pode sacar os 2 fulls deles no bandcamp e baixar de graça (ou se quiser, dar um trocadinho pra eles...)

Undergang do rolê hardcore/crossoverabadegodinez/thrash/crust semigrind:


Vindos da Suécia e com um pouco mais de história que os homônimos dinamarqueses, o Undergang (também conhecido como Undergång) faz um som rápido, impiedoso e divertido pacas, na linha Municipal Waste, DRI e Accüsed, com alguns requintes de Infest e Jerry's Kids. O curioso é a banda soar um pouco mais "única" quando comparada as bandas típicas do crossover thrash, talvez é por terem um pé no HC ao invés do Thrash Metal.

Formado em 2004, o sexteto também é conhecido por suas apresentações completamente insanas e energéticas, que normalmente leva os dois vocalistas do grupo a visitarem frequentemente hospitais após o rolê. Pode se ver em vídeos dos shows deles os membros usando tacos e pedaços de pau para atacar seu público e incitarem mosh violentos por conta própria.

Os caras tem uns 5 EP's, um álbum ao vivo e dois full-length's. Aqui deixo o link para o segundo álbum chamado "Mother Of Armageddon".

A barulhenta orquestra guitarrística dos Hangovers


Ainda na pilha do belíssimo rolê de sábado (23/03), que toquei junto com esses meliantes e foi LINDO, tive a ideia de dedicar um post do blog para esses grandes amigos e que lançam uma sonzeira FODIDA, e é particularmente uma das minhas bandas preferidas da cena porto alegrense.

Conheci a Hangovers em junho do ano passado, quando fui no show da Futuro que rolou aqui por essas bandas. Tinha colado lá pra ver a Pupilas Dilatadas, os Ornitorrincos e é claro a Futuro, mas como sempre cheguei cedo no rolê pra sacar as outras bandas. A Hangovers era uma delas. No momento que os caras subiram no palco, já me chamaram a atenção. Não sabia o que esperar de uma banda instrumental, e que ainda por cima não tinha baixista. Só vendo pra ver qual era. Assim que os primeiros acordes começaram a soar, não deu outra, pirei no som, entrei num transe epifânico e quando menos percebi já estava tendo vários espasmos e orgasmos auditivos. Foi a maior surpresa da noite pra mim, me senti na obrigação de trocar uma ideia com os caras depois, e a semana toda aquela música alta, pesada e barulhenta ficou ecoando na minha cabeça.

Contada minha história de amor com o som dos caras, vamos falar um pouco da banda. A Hangovers é recente, foi formada em 2010 por Theo Portalet e Gabriel Lixo nas guitarras e Liege Milk na batera, influenciados por Melvins, Kyuss, Mudhoney, TAD, Helmet, Nirvana, QOTSA, Jon Spencer Blues Explosion e Sepultura. Daí você me pergunta, "Mas que porra de som esses caras fazem? Grunge? Stoner? Sludge?". Não sei, mas esses caras mandam um som demoníaco, transcedental e epifânico, cheio de peso, ótimos riffs transpirando toda aquela loucuragem e porralouquice dos anos 90 por conta do Theo e do Lixo (e agora também do Andrio), além da bateria frenética e alucinada da Liege, uma das melhores bateristas que já vi em ação, mostrando que mulher também pode tocar batera e muito bem, colocando muito "home" no chinelo. Pra deixar tudo ainda mais lindo e delicioso, o demente do Theo ainda liga a guitarra em um amplificador de baixo, deixando o som ainda mais pesado.
 


A banda lançou em 2011 seu primeiro EP, "Bebendo Socialmente", que foi muito bem recebido pela galera, permanecendo por 2 semanas seguidas no topo das mais ouvidas no Trama Virtual (R.I.P.) e até foi indicado na Rolling Stone de abril daquele ano. É o EP mais longo da banda, com 6 músicas e 15 minutos de duração mais ou menos. É o meu preferido também. Muito bem produzido, destilando peso, medo, delírio e loucura, conta com belíssimas faixas como "Chico Bento terá sua vingança em Seattle" (uma das minhas preferidas), "Eis-me a transpirar tal qual um suíno" e "Puta de Óculos", que ao vivo já me proporcionaram muitos espasmos e transes epifânicos. Uma das melhores coisas que saíram daqui nos últimos anos, de fato.

A banda em 2011 ainda lançou o EP "Academia Brasileira de Tretas", com três faixas, gravadas ao vivo durante a segunda passagem da banda em São Paulo. Muito bom também. Ano passado, lançaram apenas um single virtual, chamado "Tomara que eu acerte!", e o Lixo também ficou afastado da banda por um tempo... No seu lugar entrou o Andrio, que tocava na Superguids e atualmente também toca na Medialunas com a Liege (banda que em breve, também terá seu espaço aqui). Ainda no final do ano passado, Lixo retorna para a Hangovers e agora a banda conta com três, isso mesmo, TRÊS guitarristas, adicionando muito mais peso ao som e criando uma verdadeira parede sonora de loucura e insanidade. Dizem por aí que estão gravando algo com essa formação. Estamos no aguardo...
 


Para ouvir o som da Hangovers, aqui está o soundcloud da banda, onde você pode ouvir os dois EPs, "Bebendo Socialmente" e "Academia Brasileira de Tretas". E se você tiver a oportunidade: faça um favor à você mesmo e VÁ NOS SHOWS DESSES CARAS. Essa banda já tem um espaço especial no meu coração e acho que vocês deveriam abrir esse espaço também. Altamente recomendado pela equipe do Bad Music.

V.A. - Nuggets, vol. 2 - Original Artyfacts from the British Empire & Beyond


Logo no início do blog, eu tinha postado o primeiro volume dessa série maravilhosa e prometi também postar os demais com o passar do tempo. Bom, então aí está então o segundo volume da série Nuggets, que traz enfoque na cena garageira/psicodélica britânica e europeia, mas traz também pepitas do mundo inteiro.

O período de 1964 até 1968 foi um dos mais fantásticos na história da música. Nesse período, ocorreu uma explosão de bandas garage não só nos EUA (onde esse "movimento" foi, inegavelmente, mais forte, inclusive o primeiro volume dessa série "Nuggets" traz apenas bandas da terra do Tio Sam), mas no mundo todo também, como uma espécie de resposta aos Beatles e à invasão britânica. Com instrumentos baratos e poucos acordes, esses garotos de bandas de garagem fizeram história sem saber, plantaram muitos frutos e foram colher apenas muito mais tarde.

O segundo volume da série "Nuggets" traz para o ouvinte um pouco do que rolava nas garagens do mundo todo e é, assim como o primeiro volume da série, essencial para quem deseja compreender o que foi esse tal de garage rock, que antecipou o punk em pelo menos 10 anos e que muito mais tarde foi influenciar muita, mas muita gente (o box "Children of Nuggets", que também vou trazer aqui na sequência, é uma das muitas provas disso). Mas vale lembrar que o que temos aqui (e no primeiro volume da série também) é apenas a pontinha do iceberg. A maioria das bandas apresentadas aqui (bem como no primeiro volume) chegaram a lançar pelo menos um LP na época e ganharam certa notoriedade ou culto, mesmo que tardiamente. É a melhor pedida pra quem está começando a entrar nesse universo e quer compreender melhor esse que foi um dos maiores momentos da história da música. Se vocês quiserem obscuridades MESMO, aguardem porque ainda vou aparecer aqui com todos os 28 volumes da série "Pebbles" dentre outras podreiras que tenho no meu acervo digital, hehehe...

Como já falei, aqui temos um punhado de boas canções de bandas do mundo todo, mas o enfoque é a Inglaterra e a Europa em geral. Mas ainda há espaço para a Argentina, Brasil, Japão, Austrália e Canadá, o que mostra muito mais variedade (inclusive sonora) nesse volume da série em relação ao primeiro (já que mostra apenas bandas americanas). Sem mais delongas, baixe LOGO essa porra se você tem sequer o mínimo interesse pelo rock regressivo em geral.


1. Making Time - The Creation
2. Father's Name Was Dad - Fire
3. I Can Hear The Grass Grow - The Move
4. My Friend Jack - The Smoke
5. My White Bicycle - Tomorrow
6. I'll Keep Holding On - The Action
7. When The Night Falls - The Eyes
8. Sorry - The Easybeats
9. Imposters Of Life's Magazine - The Idle Race
10. How Is The Air Up There? - The La De Das
11. Mud In Your Eye - Les Fleur De Lys
12. Everything (That's Mine) - The Motions
13. Garden Of My Mind - The Mickey Finn
14. Take A Heart - The Sorrows
15. The Life I Live - Q'65
16. Midnight To Six Man - The Pretty Things
17. I See The Rain - The Marmalade
18. The First Cut Is The Deepest - The Koobas
19. You Stole My Love - The Mockingbirds
20. 125 (album version) - The Haunted
21. My Mind's Eye - The Small Faces
22. Going Nowhere - Los Bravos
23. All Night Stand - The Thoughts
24. War Or Hands Of Time - The Masters Apprentices
25. It's A Sin To Go Away - We All Together
26. A Dream For Julie - Kaleidoscope
27. I Read You Like An Open Book - The Tages 


1. Children Of The Sun - The Misunderstood
2. Save My Soul - Wimple Winch
3. Desdemona - John's Children
4. I Can Only Give You Everything - Van Morrison
5. Lost Girl - The Troggs
6. I Must Be Mad - The Craig
7. Say Those Magic Words - The Birds
8. Baby Your Phrasing Is Bad - Caleb
9. Daddy Buy Me A Girl - Golden Earrings
10. Exit Stage Right - Ronnie Burns
11. Gone Is The Sad Man - Timebox
12. I'm Rowed Out - The Eyes
13. You've Got A Habit Of Leaving - Davy Jones
14. Reflections Of Charles Brown - Rupert's People
15. Words Enough To Tell You - The Mascots
16. That's The Way It's Got To Be - The Poets
17. 14 Hour Technicolour Dream - The Syn
18. Walking Through My Dreams - The Pretty Things
19. You Said - The Primitives
20. This Life Of Mine - The Lost Souls
21. Shadows & Reflections - The Action
22. Friday On My Mind - The Easybeats
23. In The Land Of The Few - Love Sculpture
24. For Another Man - The Motions
25. Fire Brigade - The Move
26. Gaby - The Boots
27. Biff! Bang! Pow! - The Creation 


1. Your Body Not Your Soul - Cuby & The Blizzards
2. Cathy, Come Home - The Twilights
3. Circles - Les Fleur De Lys
4. Get Down From The Tree (album version) - The Matadors
5. Cry In The Night - Q'65
6. Changing The Colors Of Life - Los Chijuas
7. Social End Product - The Bluestars
8. Crawdaddy Simone - The Syndicats
9. Don't You Remember? - The Sound Magics
10. It's My Pride - The Guess Who
11. Magic Potion - The Open Mind
12. You're Driving Me Insane - The Missing Links
13. Who Dat? - The Jury
14. A Midsummer's Night Scene - John's Children
15. Listen To The Sky - Sands
16. How To Find A Lover - The Mockingbirds
17. Days Of The Broken Arrows - The Idle Race
18. By My Side - The Elois
19. Path Through The Forest - The Factory
20. Love Hate Revenge - Episode Six
21. Pictures Of Matchstick Men - The Status Quo
22. The Train To Disaster - The Voice
23. Sad - The (Australian) Playboys
24. Slaves Time - The Slaves
25. You Can Be My Baby (single version) - The Red Squares
26. I Wish I Was Five - Scrugg
27. Glendora - The Downliners Sect 


1. Rosalyn - The Pretty Things
2. Come On - The Atlantics
3. The Madman Running Through The Fields - Dantalion's Chariot
4. How Does It Feel To Feel (U.S. single version) - The Creation
5. I'm Just A Mops - The Mops
6. Why Don't You Smile Now - The Downliners Sect
7. Nothin' - The Ugly Ducklings
8. Break It All (U.S. single version) - Los Shakers
9. The Bitter Thoughts Of Little Jane - Timon
10. Touch - The Outsiders
11. Vacuum Cleaner - Tintern Abbey
12. My Life - Thor's Hammer
13. Bad Little Woman - The Wheels
14. No Presents For Me - Pandamonium
15. Bat Macumba - Os Mutantes
16. Real Crazy Apartment - Winston's Fumbs
17. No More Now - The Smoke (Nz)
18. No Good Without You - The Birds
19. Kicks & Chicks - The Zipps
20. Dance Around The Maypole - The Acid Gallery
21. Get Yourself Home - The Fairies
22. I'm Your Witchdoctor - The Chants R&B
23. But You'll Never Do It Babe - The Boots
24. One Third - The Majority
25. Flight From Ashiya - Kaleidoscope
26. Here Come The Nice - The Small Faces
27. It's My Fault - The Rattles
28. When The Alarm Clock Rings - Blossom Toes 

Los Violadores - Subversão argentina


E aí putaiada! Seguinte, fiquei ausente aqui um tempo por pura preguiça e por falta de ideia do que postar mesmo. Poderia estar envolvido em alguma coisa nobre ou fazendo algo de útil pela humanidade, mas fiquei só coçando esse tempo todo mesmo. E sem ideia do que postar aqui. Mas o pior, é que eu nem imaginava que toda essa falação do papa argentino e a polêmia (que se é real ou não, não entrarei no mérito) do velho ter apoiado a ditadura militar na Argentina me lembraria de uma banda muito foda que já não rolava no meu player fazia um tempo e também me daria um ótima ideia para uma postagem nesse chiqueiro. Enfim, chega de lorota...

No final dos anos 70, a América Latina sofria com o peso das botas, fuzis e capacetes. E a ditadura militar na Argentina foi uma das mais violentas do continente. É difícil dizer qual delas foi a mais sangrenta e repressora, mas parece que os hermanos ganham esse infeliz título. Porém, naquelas alturas do campeonato, os militares começaram a perceber que seria difícil manter regimes tão fechados, visto que já enfrentavam fortes problemas na economia, e começaram então uma pequena e forçada "abertura" política. Nesse contexto, com um pouco mais de facilidade na chegada de informações (ainda que muitas vezes chegassem muito distorcidas, muitas vezes até propositalmente para abafar qualquer tipo de informação que pudesse ser considerada "ofensiva" aos regimes), e também já de saco cheio desses regimes opressores, acabaram surgindo, aos poucos e timidamente, os primeiros punks da América Latina, por volta de 78/79, simultaneamente em São Paulo, Buenos Aires e Lima.



A primeira banda punk da Argentina foi o Los Testiculos, que em 1980 trocaria o nome para Los Violadores. A primeira formação da banda contava com o guitarrista Hari B, o baterista Sergio Gramática, o baixista Stuka e o vocalista Pil Trafa. Ganharam notoriedade mesmo foi em 1981, com diversos shows ali pela região de Buenos Aires (muitas vezes sob o nome de "Los Voladores", visto que a ditadura não via com bons olhos um nome tão agressivo), e em 1982 entraram em estúdio para gravar o primeiro LP, que porém saiu só em 1983, após as eleições que representaram o fim oficial da ditadura argentina (que já começava a ruir com o fiasco da Guerra das Malvinas).

Musicalmente falando, a sonoridade é bem próxima do punk rock clássico de 77, baseada bastante em Clash, Buzzcocks, Sex Pistols e Stiff Little Fingers, diferente das bandas punks brasileiras que faziam um som mais hardcore e mais tosco. A produção do LP também é muito superior em relação aos primeiros registros punks brasileiros, que como todos sabemos, é uma tosqueira braba (apesar de linda). É um registro único e importantíssimo para o punk latino americano, sendo um dos primeiros discos de punk do continente e, muito provavelmente o primeiro disco de punk rock argentino. Um grande disco e histórico disco, com ótimas canções como "Mirando La Guerra por TV", "Cambio Violento", "Sucio Poder", "Estás Muerto" além dos hinos "Represión" e "Viejos Patéticos".



Logo após o lançamento do primeiro LP, auto intitulado, e também do final da ditadura no país, Hari B, guitarrista e o principal mentor do Violadores decidiu deixar o barco, já que via a banda muito mais como um instrumento de luta contra o regime militar argentino e com o fim do mesmo, não via mais sentido ou razão em lutar. Hari B após sair do Violadores entrou para o Comando Suicida, provavelmente a primeira banda Oi! da América Latina. Com sua saída, a banda também mudou seus rumos musicais, adotando um som mais "ramoneiro". Também curto essa segunda fase dos Violadores, porém, o primeiro LP para mim é imbatível.



Após o segundo disco, "Y Ahora Que Pasa, Eh?", de 1985 (já com um som mais "ramoneiro"), a banda trocou de formação diversas vezes e teve seu fim em 1992 após diversas discussões entre Stuka e Pil Trapa, motivadas por suas "insuperáveis diferenças musicais". Lançaram sete álbuns, mais um ao vivo e uma coletânea. Voltaram aos palcos no ano 2000 e encerraram as atividades em 2011. Lançaram três álbuns nessa volta, que eu nunca me prestei a ouvir.

Baixe aqui o primeiro e histórico disco do Los Violadores, de 1983.

Coke Bust - Pois o hardcore e powerviolence podem ter diploma no PROERD


Hoje teremos um post relâmpago como as canções da banda de hoje, desfrutem a barulheira!

 

Coke Bust é uma banda de Hardcore/Powerviolence provinda de Washington DC (terra de lindezas como Minor Threat e Bad Brains, então tu já sabe que a fonte é confiável), conhecida por sua ética Do It Yourself, shows que por maioria das vezes são organizados por eles mesmos, além de serem Straight Edge.


Um som rápido, sem frescura e sem piedade  influenciado por petardos como Siege e Infest e também com base nas idéias do Youth Crew, esses moleques da terra da Casa Branca apostam em bastante grooves nova iorquinos seguidos de devastadoras metrancas e riffs dignos do pulso de Michael J. Fox.


Outro detalhe é que, diferente de muitas bandas SxEx do momento, os caras do Coke Bust tem temas mais politizados em suas letras, mas também não deixam de dar suas alfinetadas na socialização via drogas (vide EP's como "Fuck Bar Culture").


Uma curiosidade interessante: Os membros da banda tem o hábito de enviar mixtape e zines próprias para fãs que escreverem cartas para o grupo, segundo eles, para criar um laço pessoal com aqueles que curtem os ideais e música da banda.


A banda tem 3 EP's, 2 demos, 2 Splits e o único full length "Lines in The Sand", que deixo o link para download aqui.

Discografia:
Demo - 2006
Demo 7'' - 2006
Fuck Bar Culture EP - 2007
Cycle Of Violence tape - 2008
Split com Sick Fix (tape) - 2009
Lines In The Sand - 2009
Degradation EP - 2010
Live At WMUC EP - 2011
Split com Vaccine 7'' - 2012

Senior Fellows - "Ecclesiastical Servitude": a surpresa que ganha a sua semana


É na primeira vez na história desse blog que temos um material que uma banda nos envia para pedir uma resenha. O que tem demais nisso? A banda é americana e o CD foi mixado e masterizado pelo Brad Boatright (conhecido pelo seu trabalho no From Ashes Rise e já entrevistado no blog com a matéria do nosso apoiador, Homero Pivotto Jr.), os caras pediram com toda educação, então analisei o trampo com todo o cuidado e atenção possível e realmente fiquei pasmo com o que caiu em minhas mãos...

Bem, vamos lá então, hoje iremos analisar o trabalho do Senior Fellows, uma banda de Sludge/Doom provinda de Tulsa, Oklahoma. O grupo manda um som bruto, violento, arrastado e digno de qualquer banda grande desse gênero, remetendo a nomes clássicos como Grief, Dystopia e Eyehategod. Um dos detalhes que chama atenção é a produção absurdamente limpa, algo que não é muito comum nesse estilo de música. A produção limpa atrapalha o album? Claro que não!


Nesse debut dá pra ouvir cada detalhe, a força de cada palhetada, a raiva saindo de cada verbete, a dissonância dos acordes, além de uma variedade bem interessante entre as músicas, mas mantendo a consistência. Brad fez um trabalho maravilhoso com esses caras. Mas enfim, vamos a detalhes.

Abrindo com a faixa Atrocities explode the delusion of tolerance (já falei que os títulos dessas músicas são lindos?), já nota-se que não estão de brincadeira, com um som arrasta corrente e dedilhados dando uma atmosfera de misantropia absurda os caras já partem dali para Officer, are you detaining me, or am i free to go? com um groove mais intenso que se segue nas próximas faixas.


Durante o CD encontramos faixas com o uso de melodias interessantes, como as faixas A systematic review..., Fundamentalist Interpretation e Credit Default Swap, que ao meu ver tem os melhores riffs do trabalho, talvez as mais melosas, mas isso tá longe de significar uma música calma...

No lado mais tradicional do sludge metal, temos God Endorsed Slavery, Receive No Mercy... que representam bem o sons típicos do gênero, confesso que não são músicas inovadoras, mas elas tem uma qualidade digna para estar no mesmo pilar que bandas renomadas no gênero. Faixas completamente dissonantes e barulhentas como Terror, harm and justice e Underestimating the extent... dão um teor absurdamente psicótico, me lembrando bandas como Today Is The Day de uma certa forma.

Mas na reta final, duas faixas chamam completamente minha atenção: Edward the Confessor e Stepped Forward To Rule. Completamente viajantes, melódicas, psicodélicas e introspectivas.


No quesito lírico, infelizmente não me deram letras para eu acompanhar e analisar, mas julgando pelos títulos das músicas, os caras tem um contexto político, social e anti-religião de bandas como Dystopia. Mais um diferencial na musicalidade deles.


No final das contas, essa foi uma baita surpresa que caiu no meu e-mail nesse começo de semana. Uma senhora produção de uma banda que mesmo iniciando, começou no lugar mais certo possível. Os americanos do Senior Fellows mantém a visceralidade do início do Sludge, além de apostar na mistura com linhas mais melódicas e outras dissonâncias. Basicamente é uma banda que resume bem toda a história do gênero em um disco, perfeito pra quem manja nada dessa sonoridade e quer começar, aí tá prato cheio!

Nota final? não existe essa frescura por aqui, ESCUTE ESSES CARAS! SAIBA MAIS DESSES CARAS NO FACEBOOK!

Asocial - Como o hardcore poderia ser ainda pior...


Vindos da Suécia (só podia), o Asocial poderia ser somente mais uma das muitas bandas (fodidas) de hardcore ou crust daquele país. Porém o que acontece é que a banda meio que antecipou o que viria a ser chamado de grindcore em pelo menos cinco anos (se formos considerar o "Scum" do Napalm Death como o marco zero do estilo). A banda foi formada em 1980, em Hedemora, interior da Suécia, e talvez o frio e o tédio extremo de morar numa cidade pequena do interior com pouco menos de 7.000 habitantes os ajudou a fazer isso aqui em 1982, quando o Napalm Death dava seus primeiros passos e fazia um som bem mais puxado para o anarchopunk de bandas como o Crass...



Simplesmente não há explicação para esse tipo de som em 1982. É o hardcore levado ao seu extremo, da forma mais frenética possível. Creio que esse é o primeiro registro de grindcore da história. Ao menos não sei de algo tão brutal ou frenético que possa ser encaixado em tal gênero que possa ter vindo antes disso.

A banda aparentemente teve seu fim em 1992, e nunca chegou a lançar um full lenght, embora tenha deixado algumas demos, EPs, participações em coletâneas e um legado bem obscuro, porém surpreendente, por parte dos primeiros anos de atividade (de 1980 até 1983), já que à partir de 1984 a banda optou por uma sonoridade mais voltada para o tradicional crust que já se fazia (e muito bem) naquele país, na melhor pegada Anti-Cimex e Mob 47.



O Asocial é uma banda bastante (bastante mesmo) obscura e por isso as informações são bem escassas. Mas vale a pena conferir o impressionante legado dessa banda. Deixo aqui o download da incrível e inacreditável demo de 1982 "How Hardcore Could Be Any Worse?" e o EP de 1986 "Religion Sucks", já com uma sonoridade mais crust. Uma banda à frente de seu tempo e que talvez tenha até sido incompreendida e por isso injustiçada.

Post especial do dia da mulher - Não, não teremos Runaways...

Na verdade ambos os autores do blog tinham ideias diferentes para posts hoje, mas achamos que o dia de hoje renderia um bom número de recomendações interessantes. Então hoje, dia internacional da mulher, iremos recomendar nesse post bandas fodásticas com mulheres na sua formação, sejam elas as frontgirls, boa parte da formação ou uma all girl band. E não, não recomendaremos Nervosa...

Enfim,  vamos para a lista:

DödsÄngel
 

Vinda do Canadá, essa garota prova que pra ser rockeira lá não precisa pintar cabelo de rosa, vestir-se como o Alexi Lahio e falar sobre garoto skatista. Essa one woman band faz um black metal old school, cru, sombrio e digno de vocês que comem cereal com Dollynho (convenhamos, você não deve ter amor a vida se tens tal hábito alimentar...).


DödsÄngel só tem uma demo, "Helgrind" que você pode baixar aqui.

Gallhammer
 

Como tenho um grande fascínio pela cena japonesa de música passada, não podia deixar de citar esse trio. Black metal com pitadas de Crust e até mesmo Doom, as garotas do Gallhammer fazem uma música absurda!


A banda ó tem 3 álbuns até agora, baixe aqui o disco "Ill Innocence", segundo da banda e o melhor na opinião desse blogueiro maroto.

O respeito é tamanho que se você ver o documentário "A Dying God" sobre o Celtic Frost, você verá uma cena onde Tom Warrior e sua trupe acompanham o ensaio dessas japonesas, sentiu a responsa?

Signal Lost


Esse grupo americano conta com uma frontwoman e uma baixista fazem um mix de pós punk com hardcore absurdamente fodástico. Baita melodias e uma cadência incrível nesse grupo, a vocalista Ashley Marshall até participou em uma música dos mitos do "burning spirit" não oriental, World Burns To Death.


Com 2 álbuns por enquanto na sua discografia, deixo aqui o "Prosthetic Screams" para ser conferido.

Grimes


Saindo do barulho, a Grimes é uma cantora canadense que faz uma mistura bem legal, passando pelo Synth Pop, industrial, darkwave e até um pouco de experimentalismo. Já fizeram comparações da música dela como "Aphex Twin tendo um filho com o Abba".  Cada música é uma viagem diferente, com muita atmosfera e ambiência, além do timbre de voz quase infantil dando todo um ar relaxante na sua obra.


Com apenas 24 anos, a canadense já tem 3 albuns e um split, confira aqui o último disco, "Visions".

Amanda Palmer e Dresden Dolls


Dresden Dolls é uma dupla que consiste de um baterista (Brian Vinglione) e uma pianista (Amanda Palmer), que curiosamente se definiam como "Cabaret Punk Brechtiano", difícil de explicar o som, mas é como se o filme Moulin Rouge virasse uma banda punk com músicas que falam de sexualidade, seja com relações, amor, parafilias, operações de troca de sexo...


Em 2008, após lançarem o seu terceiro disco, o grupo entrou em hiato, com Amanda focando em sua carreira solo. Nessa mudança, a pianista se foca mais no rock e outros gêneros, rola até uma baladinha com ukulele que incrivelmente não soa nem um pouco praiana.


Após 3 discos na carreira solo e participação em outros projetos, Amanda decide se reunir com Brian e o Dresden Dolls voltou em 2010, porém não saíram músicas novas ainda dessa reunião.

Deixarei aqui o link pro primeiro disco do Dresden Dolls e também deixo um link pro primeiro disco solo de Amanda Palmer.

The Gits


The Gits foi uma banda de punk rock de Seattle, formada em 1986, naquela efervescência de bandas que surgiram na região pelo final dos anos 80 e início dos anos 90, que ao contrário do que muitos pensam, foi algo muito além do grunge. A banda ficou conhecida pelo seu som enérgico e performances insanas. A formação da banda consistia com a frontgirl Mia Zapata nos vocais, Joe Spleen nas guitarras, Matt Dresdner no baixo e Steve Moriarty na batera.



A banda acabou em 1993 após o assassinato de Mia Zapata. Ela foi brutalmente estuprada e assassanidada na noite de 7 de julho daquele ano, enquanto voltava para casa de um bar. O caso ficou sem solução durante sete anos, até que após muitas investigações e testes de DNA apontaram um pescador chamado Jesus Mezquia com principal suspeito. Mezquia acabou sendo considerado pelo júri como culpado e foi condenado em março de 2004 à 36 anos de prisão.

Enquanto ativa, a banda lançou dois discos de estúdio, três singles, um disco ao vivo e participou de várias coletâneas. Embora nunca tenham assinado com uma major, é uma das bandas mais respeitadas e cultuadas do underground de Seattle até hoje, e muitas vocalistas de girl bands vem citando Mia Zapata como influência. Deixo aqui o download para o primeiro disco da banda, "Frenching the Bully" de 1992.

Fastbacks


Também de Seattle, o Fastbacks fazia um som baseado no punk rock com bastante influência ramônica e do pop bubblegum dos anos 60. A banda foi formada em 1979 por Kurt Bloch (guitarra), Lulu Gargiulo (guitarra e vocal) e Kim Warnick (baixista e vocalista) e encerrou suas atividades em 2001. Foi uma das primeiras bandas de punk rock de Seattle.

A banda teve sempre constante em sua formação Lulu, Kurt e Kim, porém o posto de baterista era sempre instável. Até Duff McKagan (sim, o cara do Guns) já ocupou o posto de batera da banda. A banda sempre teve bastante destaque na cena de Seattle e chegou a assinar com a Sub Pop por volta de 1992. Antes disso eram do cast da Pop Llama, outra gravadora independente de Seattle bastante importante.



Para baixar, deixo o primeiro álbum deles, "Fastbacks and His Orchestra", em minha opinião o melhor da banda um dos melhores discos de todos os tempos. Simples, autêntico e mesmo belo. As canções pop punk ficam ainda mais deliciosas de se ouvir com os vocais femininos, que dá um gostinho especial na coisa. Altamente recomendado e viciante!

Demolition Doll Rods


A banda é de Detroit. Só pela localidade já deduzimos que é veneno. Como mentor, tem Danny Doll Rod (guitarrista), que era do Gories. Ausência de baixo, influências de Cramps, Stooges, MC5 e Jon Spencer Blues Explosion. E ainda, duas garotas na banda, Margaret Doll Rod (guitarra e vocal) e Christine Doll Rod (bateria). Rock 'n' roll altamente primitivo, regressivo, sem pudor, selvagem e garageiro!



A banda ganhou destaque pelos seus shows, absolutamente insanos, onde costumavam tocar vestidos de drag queens, fantasiados de roupas sadomasoquistas ou mesmo nus. Sem pudor nenhum mesmo. E as letras, nem preciso falar que falam dessas coisas lindas como sexo, drogas, corridas, meninos & meninas, mais sexo... Ou seja, LINDO!

A banda encerrou as atividades em 2007, depois de 13 anos sem parar (a banda foi formada em 1996). Deixo aqui o disco "Tasty", de 1997, altamente recomendado para os apreciadores do rock 'n' roll regressivo, sacana e sem precedentes.

Gorilla Angreb


Formada em 1999 inicialmente apenas como um projeto dos membros da banda Amdi Petersens Armé e sendo levada mais à sério em 2002 após o fim da mesma, o Gorilla Angreb é de Compenhague, Dinamarca, e uma das bandas mais legais que aquele país já teve. Formada por Mai Sydendal (linda...) nos vocais, Peter Bonneman na guitarra e vocal, Retardo no baixo e Tommas "Banger" Svendsen na bateria, a banda manda um som baseado no punk rock clássico dos anos 70 e nas bandas americanas dos anos 80, além de algumas pirações garage e pós punk. Também cantam em dinamarquês, não dá pra entender merda nenhuma, mas é muito massa.



A banda encerrou as atividades em 2007 e nunca chegou a lançar nenhum full lenght, porém lançou vários singles 7'' e EPs, que em 2006 foram compilados em um CD que leva simplesmente o nome da banda e traz todo esse material. Aliás, essa é a coletânea que deixo aqui para quem quiser conferir a banda. Para fãs de X, Wipers, Germs, Regulations, Vicious, Masshysteri e Wax Idols.

Post idealizado por Rodrigo.
Releases DödsÄngel, Gallhammer, Signal Lost, Grimes, Dresden Dolls e Amanda Palmer por Rodrigo.
Releases The Gits, Fastbacks, Demolition Doll Rods e Gorilla Angreb por Maurício.

Suburban Studs - Os moleques rebeldes de Birmingham


Os anos de 1976 e 1977 foram intensos para o punk rock, principalmente na Inglaterra, onde chegou com força total e encontrou abrigo em meio a um cenário social de desemprego e falta de oportunidade para os jovens, que realmente se viam sem futuro e sem melhores perspectivas de vida. E o punk foi a forma ideal que esses moleques encontraram para expressar sua raiva, frustração e insatisfação, tornando-se algo muito além da música e virando um fenômeno social. Porém, o que nos interessa aqui é a música. No meio de toda aquela efervescência de milhares de bandas surgindo, muitas acabaram ofuscadas pelo sucesso de bandas maiores (como o Clash e o Sex Pistols) e acabaram não tendo tanta sorte, foram esquecidas pelo tempo, mesmo com o potencial necessário para se tornar maiores. O Suburban Studs foi uma delas.

O Suburban Studs foi formado em Birmingham, interior da Inglaterra, no ano de 1976, quando o punk começava a chegar por aquelas bandas, pelos amigos Eddy Zipps (vocalista e guitarrista), Keith Owen (guitarrista), Paul Morton (baixista), Steve Poole (baterista) e Steve Heart (saxofonista). A banda tinha uma forte influência da cena "pub rock" (nunca entendi direito os méritos desse rótulo, mas na tal cena "pub rock" estavam inseridos nomes importantes para o punk inglês, mesmo geralmente não sendo enquadradas no estilo, como o Dr. Feelgood e Eddie and the Hot Rods) da época e também das bandas mods (bandas mods, não Beatles e Stones) do anos 60, e músicos bastante acima da média, por conta dessa veia rock 'n' roll latente.



Embora tivessem um saxofonista na formação inicial, Steve Heart, logo no início da banda ele foi descartado e entraria para o Neon Hearts. O porquê, eu não faço ideia, mas sua ausência na banda não faz tanta diferença no som, pra falar a verdade. Talvez justamente por isso tenha sido descartado. Seu único registro com o Suburban Studs foi o (ótimo) 7'' "Questions" de 1977, que foi lançado pela Pogo Records, gravadora independente que tinha um certo vínculo com a major WEA. Inclusive, o Suburban Studs foi uma das primeiras bandas punks que vieram a assinar com uma gravadora independente na época.

A banda teve um tempo de vida muito curto, de 1976 até 1978. Porém foi uma banda bastante ativa na época, com diversos shows no Marque, 100 Club e no Roxy ao lado de nomes como Sex Pistols, Clash, Blitz, X-Ray Spex e U.K. Subs, por exemplo. Inclusive encabeçaram junto com o Clash uma tour por Birmingham e região, e chegaram a abrir pro AC/DC em 1977 (!!!), além de terem gravado uma Peel Session na BBC. Lançaram três singles ("Questions", "No Faith" e "I Hate School", todos em 1977, e esse último, um "micro clássico" do punk inglês) e um LP, "Slam", em 1978, além de ter participado da histórica coletânea "Hope & Anchor Front Row Festival", de 1977, que traz várias bandas fodidas da época como Strangles, Saints, X-Ray Spex, 999, Tyla Gang e várias outras. Inclusive, será postada no blog um dia.



Embora tivesse potencial, a banda deu azar de ter sido ofuscada pelo sucesso de bandas maiores e de lançar seu LP apenas em 1978 quando o punk já estava "de ressaca": o Sex Pistols chegava ao seu fim, a mídia não tinha mais tanto interesse no estilo, e muitas bandas também decidiram encerrar suas atividades ou tomar rumos diferentes (partindo para a new wave ou para o dito pós-punk). O LP não recebeu críticas significativas e também não vendeu muito. Desanimados, decidiram botar um fim no Suburban Studs. A banda foi reformada em 1996, para poucos shows na Inglaterra, com Roger Wilson no baixo e Dave Fell nas baterias.

De qualquer forma, "Slam" é um disco fantástico. 17 faixas do rock 'n' roll mais punk (ou do punk mais rock 'n' roll) produzido naquela época. A influência do "pub rock", do blues rock, do rockabilly e do mod é latente em vários momentos, seja nos riffs de guitarra ou na pegada malandra. As letras, tratam de temas como violência ("The Rumble"), satanismo ("Necro"), suicídio ("Razor Blades"), sobre a lei ("Panda Patrol") e até mesmo sobre a escola ("I Hate School", como já foi dito, um "micro clássico" do punk inglês) e a rebeldia juvenil ("Suburban Stud"). Uma pepita obscura, porém quase obrigatória para os amantes do punk rock clássico de 1977. Para nossa alegria, "Slam" foi relançado em CD pela Anagram em 1993, com uma cacetada de faixas bônus, retiradas dos singles e algumas faixas até inéditas. São 11 faixas bônus. Aliás, é a versão que deixo para download para vocês conferirem uma das mais originais, malditas e infelizmente injustiçadas bandas da primeira onda punk. Download aqui.

Iceage - "Indies" também podem ser sujos e barulhentos


Depois de umas "férias" do blog, quase uma semana sem postar, estou com uma lista de bandas que pretendo apresentar a vocês. Vamos começar hoje com essa pérola vinda da Dinamarca.


Iceage é uma banda bem nova, formada em Copenhague no ano de 2008. Feito por garotos que mal teriam 18 anos de idade. Três anos após seu nascimento, lançaram seu primeiro disco, New Brigade, que foi um sucesso na mídia especializada com ótimas críticas e recebendo até elogios de resenhistas do Washington Post.


O som da banda nesse trabalho é curioso, com influências que vão do Pós Punk britânico do Joy Division (na época mais punk), Wire, Gang Of Four e até mesmo The Jesus and Mary Chain. O que impressiona mais ainda é alguns elementos de hardcore na bateria além de sua produção monstruosamente lo-fi, noisy, saturada de reverb e suja, indo completamente contra o que as bandas indies nesses últimos anos fazem. Até No-Wave e Noise rock são visíveis em suas músicas!


No mês anterior (fevereiro de 2013, caso você vá ler isso 5 anos depois), esses jovens lançaram seu novo disco: You're Nothing, que, apesar da produção mais limpa, vai numa onda bem mais punk e até uns flertes com pós hardcore. Quase um "Fugazi" europeu. Músicas mais energéticas, que fariam uma festa do Beco virar um festival de slam dance nova iorquino (sonho para que isso aconteca e dizime metade desses "indieotas" que infestam Porto Alegre). Um disco mais energético, carismático, com direito a muitos sing alongs e ainda com aquele espírito lo-fi que esses jovens tem.


Enfim, banda altamente recomendada pelo QG da desgraça que é o nosso blog. Aqui deixo link de um torrent para pegarem o New Brigade. Desfrutem e fiquem de olho nessa turma dinarmaquesa!


Gritos de Alerta - Inferno beat!


Hoje venho apresentar à vocês uma das melhores (talvez a melhor se o assunto for hardcore) bandas que Porto Alegre já teve, a Gritos de Alerta. A banda foi formada após o fim da Terror Terror, em 2001, pelos irmãos Renan e Gustavo Favero (vocalista e baixista, respectivamente), Michel Munhoz (bateria) e Moisés Borba (guitarra), e esteve em atividade até 2007. O som da banda era um hardcore violentíssimo altamente influenciado pelas bandas suecas e finlandesas, além do raw crust de bandas como Extreme Noise Terror e Disrupt e até alguns elementos de grindcore. As letras em sua maioria tratam de temas políticos e sociais e refletem sobre a condição humana.



Enquanto durou, a banda foi uma das mais ativas da "cena" (que palavra mais cretina) de Porto Alegre, chegaram a tocar em São Paulo, inclusive, e dividiram o palco com bandas como Riistetyt, World Burns To Death, Kuolema, Força Makabra e Sick Terror. Boa parte dessas bandas foram trazidas à Porto Alegre pelo próprio Renan, através do seu selo Terrötten Records, que está até hoje em atividade e lançou basicamente todos os registros da Gritos de Alerta.


A banda passou por algumas trocas de formações. A primeira foi em 2004 quando Moisés decidiu sair. Em seu lugar entrou Vitor Richter (Diatribe, Entre Rejas), que ficou na banda até 2005 e gravou com a Gritos de Alerta o split 7'' com o Sick Terror. Em seu lugar entrou Rodrigo (ex-Tumor, Infinity War, Alcapones), que ficou na banda até o seu fim, em 2007. A banda teve um breve retorno em 2011 com sua última formação, com Rodrigo nas guitarras, para gravar um cover da belíssima canção "Why?" para um tributo ao Discharge, porém não houveram shows e sequer cogitaram uma volta definitiva.



Infelizmente, a banda nunca lançou nenhum disco "full", apenas splits em vinil 7'' com outras bandas (incluindo Sick Terror, Jesus Cröst, Krush e Heresia) e uma demo. A maior parte dos materiais da Gritos de Alerta já foram esgotados, mas o que restou você ainda pode comprar pela própria Terröten Records, de propriedade do Renan, que inclusive vem lançando bastante coisa marota e vendendo podreira para os jovens por preços bastante acessíveis. Também é possível achar algo da banda nos Ebay's e Mercado's Livre's da vida, mas aí é outro assunto...


Após o fim da Gritos de Alerta, Michel entrou para a Damn Laser Vampires e atualmente toca comigo e com o Rodrigo na banda de hardcore Viruskorrosivus, Gustavo que já tocava baixo também na Unidos Pelo Ódio seguiu firme na mesma até o final da banda em 2010, Rodrigo formou a Disträto (banda que infelizmente já acabou e não chegou a lançar nenhum registro) e Renan ficou apenas com a Terrötten até 2010, quando formou junto com o Gustavo e outros ex-membros da Unidos Pelo Ódio, Leandro e Júlio, a banda crust Living In Hell. Gustavo saiu da Living in Hell em 2011 e no seu lugar entrou João Carvalho (que também toca conosco na Viruskorrosivus e era batera da Disträto) e atualmente estão gravando o seu primeiro disco, além de terem lançado no ano passado o EP 7'' "Portões", que também pode ser adquirido pela Terrötten Records.

Como a banda nunca lançou nenhum disco, reuni em um único arquivo praticamente tudo que a Gritos de Alerta lançou. Aqui estão todos os sons dos splits com o Heresia, Jesus Cröst, Krush e Sick Terror, além de dois covers, o do Discharge para "Why" e um do Heresy para "Build Up/Knock It Down". Faltou apenas os sons do 4 Way Split com o Sick Terror, Lady Die e Beyond Description, que não consegui achar em lugar nenhum e a demo, que creio eu nem os membros da banda ter mais... Baixe aqui e confira o mais violento crusty hardcore thrash já produzido na capital gaudéria. O legado da banda não pode ser esquecido!