Os Melhores Discos de 2013 - Parte II

Então pessoal, ontem  o Maurício botou a primeira parte dos melhores de 2013. Como nós montamos a lista juntos e tivemos muitos nomes e alguns deles em comum, resolvemos fazer em 2 partes. Boa parte das bandas que ia citar já estão no post anterior que você pode conferir aqui, por isso vou focar em outras bandas e linhas de som nesse post, pois realmente escutei muita coisa esse ano. Como tenho uma mania de organização, vou dividir o post em seções, começemos pela primeira:

REVELAÇÕES DO ANO


SHIT HEROES - MMXIII


O Grupo paulistano faz um negative hardcore violento e pertubador, na linha da nova geração de som caótico como Weekend Nachos, Dead In The Dirt e até uma distorção que poderia fazer parte de um álbum do Rotten Sound. Produção barulhenta, microfonias constantes, noise, samples doentios e letras abrasivas permeiam esse álbum. Você pode apreciar (e baixar de graça) nesse belo link aqui.

GOD DEMISE - GOD DEMISE


Vindos do Belo Horizonte, o God Demise é outra dessas bandas que está divulgando o hardcore "bad vibe" no Brasil. Para aqueles que sentem falta de bandas como Cursed nesse mundo, acho que os mineiros podem matar sua saudade, hardcore sludge cretino e arrastador de corrente. Não duvido que essa turma chame a atenção da geração "Cvlt Nationcore" lá fora e consiga uma boa notoriedade, você pode escutar e baixar o trampo dos caras aqui.

ALÉM DO FIM - ALÉM DO FIM (EP)


Sim, é uma banda nada típica do repertório que apresento no blog, essa turma de Porto Alegre . O som da banda é um metalcore com influências do tal do "Djent" (uma subcultura que, assim como powerviolence e d-beat, acabaram virando um "gênero" musical pelo uso constante e errôneo do termo), que usa uns tempos quebrados, guitarras de 7/8 cordas em afinações baixas e blá blá blá. Influenciado pelas novas gerações do metalcore de grupos como While She Sleeps, Northlane e Volumes. Apesar de soarem "acessíveis", noto que há um pouco de criatividade e referenciais curiosos, algo que realmente falta nessas gerações mais novas. Recomendo nem que seja apenas pela curiosidade, legal mesmo de ver bandas de uma zona que muitos acham "mainstream" com algo interessante a mostrar.Você pode baixar o EP neste link.

WOLFNOTE - DEMO


Se lembram do Harm's Way? O guitarrista Bo Leuders criou uma banda de emo/pop punk chamada Wolfnote, para quem é fã de nomes como Fugazi, Embrace, Sunny Day Real State é um prato cheio. Músicas simples com melodias cativantes, não tem muito o que falar, apenas apreciar. Você pode escutar e baixar a demo aqui.

EP'S DO ANO:


SICK VISIONS - IRRATIONAL


Vindos de Volta Redonda, o Sick Visions conta com membros do Deaf Kids, Alchemists, Homem Elefante e o vocalista da banda yankee Prothestics. Os caras fazem uma mistura de hardcore e rock'n'roll na linha de bandas como Poison Idea, Burning Love e o Black Flag na era pós Slip it In. Neurótico, catártico, cheio de energia e raiva no coração, você pode baixar e escutar o EP dos caras aqui. (não tinha link de nada do Ep no youtube e não conseguia embedar o player do bandcamp aqui, falha nossa.)

HARMS WAY - BLINDED


A trupe SxEx de Chicago acerta na jugular da sociedade novamente. Saindo dos ares mais groovados e moshcoreiros do álbum anterior, Harms Way dessa vez mistura o hardcore com alguns elementos industriais e efeitos de pedais com a pegada e fúria do Death Sueco. Nessa cruza de Godflesh com Dismember e Merauder, temos uma das pedradas do ano nesse EP. Curioso se a fórmula vai persistir num futuro álbum.

BROKEN CROSS - ANTI HUMAN LIFE


Broken Cross é uma one man band sueca que faz um metal punk lo fi, com influência de nomes como Power From Hell, GISM, Zouo e Hellhammer. O EP contém cinco faixas que demonstram riffs e solos pegajosos, produção crua e atolada em reverb. Apreciem essa monstruosidade e baixem ela neste link.

RINGWORM - BLEED


Com sua mistura de crossover/hardcore impiedosa, o Ringworm acerta lindamente com esse EP. Mosh seguido de mosh em cada faixa, além de um cover MAGNÍFICO do Discharge. Human Furnace e seus comparsas nunca decepcionam!  

ARMAGEDOM - GANÂNCIA IRRACIONAL EXTINÇÃO INEVITÁVEL


Armagedom é uma das minhas bandas nacionais prediletas, esse EP é um dos bons motivos para justificar o porque curto demais essa banda. Visceral, direto, na cara e sem frescura, os vocais de Renato Gimenez (Social Chaos,Kroni) estão massacrantes, música para agitar a sua vida crust monocromática. Baixe/escute aqui e aprecie THE REAL DEATHCORE!

FALL OUT BOY - PAX AM DAYS (a.k.a. menção honrosa)


Isso mesmo, Fall Out Boy tocou hardcore um dia! Piadas a parte, confesso ter torcido muito o nariz quando ouvi falar da existência desse EP. Porém devido ao histórico da banda antes do F.O.B. (Patrick Stump, vocalista da banda, já tocou bateria para diversas bandas de fastcore em Chicago) e do fato do grupo ter sido formado das cinzas do Arma Angelus, acho que os garotos caidões merecem uma menção honrosa nessa lista. Pois é um EP com músicas interessantes, ainda mais sabendo de quem veio.

ÁLBUNS DO ANO:


INTEGRITY - SUICIDE BLACK SNAKE



Em posts anteriores já comentei a história e unicidade dessa banda. Apesar de usar músicas do EP Detonate Worlds Plague/Thee Destroy+ORR. A dupla dinâmica de Dwid Hellion e Robert Orr fizeram um álbum impecável, a mistura de hardcore com o metal punk japonês de nomes como GISM e Zouo está atingindo seu ápice neste álbum. Além disso, há novos elementos como a balada blues que é "There Ain't No Living In Life" com direito a harmonica! Esse álbum é realmente o aperfeiçoamento da nova era do Integrity, viúvas da era Melnick continuarão reclamando, fazer o que...

NAILS - ABANDON ALL LIFE



Nails é uma banda Californiana que faz uma mistura brutal de hardcore, grind, death metal e powerviolence. Abandon All Life não deixa sobreviventes, menos de 18 minutos e você sentirá o inferno possuir seu corpo e mente nesse álbum. A obra toda é perfeita, mas os destaques vão para a faixa título do disco, Wide Open Wound e Absolute Control. Tire os móveis da sala e pedestres desavisados do seu bairro na hora que escutar esse turbilhão de violência sonora. Definitivamente o disco mais BRUTAL de 2013!

TESLA BOY - THE UNIVERSE MADE OF DARKNESS


Sei que pode parecer chocante, mas eu AMO synth pop/new wave e afins. Mas de 2011 pra cá está havendo um boom desse gênero musical no mundo. Gravadoras como Valerie e Italians Do It Better espalham a volta da alma oitentista no mundo pop. Nessa onda toda surgiu o Tesla Boy, esses russos tem o charme e upbeat de grupos como Duran Duran, Information Society e Depeche Mode. "The Universe Made Of Darkness" tem tudo que uma danceteria precisa, refrões grudentos e carismáticos. Músicas como Fantasy, 1991  e M.C.H.T.E. vão te fazer sair dançando de roller blades por aí com o mp3 em mãos, óculos gigantescos, shorts com cores neon e um cabelo aerodinâmico!

CHELSEA WOLFE - PAIN IS BEAUTY


Em tempos de Lanas del Rey, Beyonces, Ke$has Lady Gagas e essas "divas", Chelsea Wolfe é uma brisa fresca de inovação e atmosfera. Representando o lado alternativo das "musas pop", Pain Is Beauty é um álbum melancólico, emocional, atmosférico e introspectivo. Desde faixas eletronicas, passando por guitarras, crescendos, coros, new age e world music. Destaques são as faixas We Hit A Wall, Destruction Makes The World Burns Brighter e Feral Love. Chelsea será a Jarboe e Zola Jesus da geração Y.

HOAX - HOAX


Vindos de Boston, o Hoax é provavelmente a banda mais agressiva, doentia e crua do hardcore  atual. O quarteto já vinha chamando atenção pelos seus EP's auto intitulados, com suas letras raivosas, produção crua e as performances violentas no palco. Nota-se a influência de nomes como Die Kreuzen, SS Decontrol e aquele toque de maldade típica de um Hellhammer, o Hoax é o hardcore na sua forma mais primitiva, doente e odiosa. Enquanto o Nails te atinge feito uma patrola e te nocautea sem saber, o Hoax é uma espécie de veneno lento, corrosivo e torturador. O disco mais doentio que saiu esse ano na parte do HC.Se quer a prova, eles liberaram para download nesse link.

CARRION SUNFLOWER - THE ROMANTIC YOUTH OF JESUS


Carrion Sunflower é um projeto acústico vindo de Berlin, fazendo um folk depressivo, simples e emocionalmente carregado. Diferente da onda neofolk, que procura misturar andamentos marciais, orquestras e industrialismos, esse álbum é apenas uma voz, um violão e uma produção completamente lo-fi. Lembrando muitas vezes as gravações de Charles Manson (que não duvido ser a influência desse projeto), dando aquele ar de calmaria, porém seguidas de uma desolação. Um belíssimo álbum.

CORRECTIONS HOUSE - LAST CITY ZERO


Corrections House é um "supergrupo" formado por Mike Williams (Eyehategod), Scott Kelly (Neurosis), Bruce Lamont (Yakuza) e Sanford Parker (Minsk). Difícil explicar que música eles fazem, é algo experimental, novo, atmosférico e opressivo/inspirador. Há elementos de Drone, de Doom, de Industrial, até Folk isso tem. Não vou mentir que é um dos álbuns mais únicos que saiu esse ano, pegamos a atmosfera do Pink Floyd da era Barrett, misturamos com os riffs simples do Neurosis e o industrial bizarro do Skinny Puppy e você poderá chegar PERTO de entender o que é isso. É um daqueles álbuns que precisará de alguns anos para ser considerado um clássico incompreendido, pois realmente é algo além do nosso tempo.

DEAF KIDS - THE UPPER HAND


Dovglas nos supreende mais uma vez, Deaf Kids é um dos novos nomes mais incríveis que surgiu nesses últimos tempos do Brasil. Conhecidos pelo seu crust reverberado e vocais black metaleiros, o Deaf Kids foi um passo adiante nesse primeiro Full Length. Nota-se novos elementos e influências como Swans na faixa I'm Yours e Drugged With Happiness, sem falar da faixa título da obra que soa como um Sleep versão niilista, pura raiva Sludge/Stoner. Porém o d-beat ainda esta lá, e mais furioso que nunca, a produção está completamente cavernos, houve um amadurecimento muito grande nas composições, uma jornada no inferno da existência moderna. Tive com eles o mesmo problema do Sick Visons em embedar os links, mais uma vez, falha nossa. Mas pode conferir o álbum e baixar ele aqui.

TOXIC HOLOCAUST - CHEMISTRY OF CONSCIOUSNESS


Vou ser sincero com vocês: Thrash Metal é gênero de metal extremo que menos me atrai, talvez porque meus primeiros contatos foram com o Big Four e me senti forçado a escutar mais quando teve o revival thrasher, mas nunca me descia muito bem. Raras eram as bandas que me faziam pirar, e Toxic Holocaust é uma delas, talvez pelo fato de que a veia punk que eles tem é mais forte que a tendência metal. Nesse ano Joel Grind e sua turma lançam o Chemistry of Consciousness que, ao meu ver, é o álbum mais "técnico" deles, isso significa que o som ficou tedioso? MUITO PELO CONTRÁRIO. As músicas tem bem mais riffs que antes sim, mas é um riff mais porrada na cara que o outro, d-beat comendo solto e dentes voando para todos os lados. Acho que o clipe e a música acima é tudo que você precisa saber de motivação para escutar esse disco. Toxic Holocaust é uma das pouquissimas bandas que fica mais pesada e brutal conforme os anos, que eles nunca "amadureçam" como seus colegas thrashers. (né Evile?)

SOROR DOLOROSA - NO MORE HEROES


Soror Dolorosa é uma banda francesa, que faz um pós punk/darkwave na linha do Joy Division, Ayslum Party e os primeiros discos do The Cure, esse é o segundo full length dos caras. Saindo um pouco dos ares ecoados e clima "Disintegriation" do Blind Scenes, o No Mo Heroes é um álbum mais variado e único, desde músicas mais upbeat como The Figure Of The Night  e o seu refrão crescente, a balada quasi dream pop que é Motherland e o goticismo de Hologram que orgulharia o Sisters Of Mercy. Além das músicas citadas, os outros destaques ficam para Sound & Death e A Dead Yesterday

Então é isso minha gente, feliz ano novo e esperamos continuar lhes compartilhando mais recomendações de bandas, fazer mais entrevistas e também temos alguns planos especiais que esperamos por em prática a partir do ano que vem. Boas Festas e espero que apreciem as nossas listas, há braços!

Os melhores discos de 2013 - Parte I

Como qualquer blog de música que se preze, nós do Bad Music for Bad People também decidimos fazer as nossas listas de "melhores do ano", visando mostrar para você, leitor, um pouco do que rolou de bom no underground esse ano, tanto aqui no Brasil como na gringa. Nada dos últimos lançamentos do Black Sabbath ou do Motörhead  por aqui - isso deixamos pra Rolling Stone e afins...

Hangovers - Hanga In The Sky With Breads


A Hangovers é uma das minhas bandas preferidas de Porto Alegre. Sempre colo no show dos caras e sou um dos maiores entusiastas do som desde que vi eles ao vivo pela primeira vez em julho do ano passado, inclusive já falei sobre os caras aqui no blog. Quando eu conheci a banda, eram um power trio, com Andrio e Theo nas guitarras e Liege na batera. Sem baixo, nem vocal. Peso e barulheira absurdos. Não tinha como ficar melhor, aparentemente. Mas e não que pra esse ano eles deram um jeito de ficarem mais pesados e barulhentos ainda? Acontece que o Lixo, que tocava na banda antes e se afastou por um tempo, voltou a tocar e hoje a banda tem nada menos que TRÊS guitarristas. O som, que já era algo epifânico, virou um negócio transcendental mesmo, ainda mais sujo, barulhento e pesado.  O novo disquinho da banda, "Hanga In The Sky With Breads", com essa nova formação, já na minha primeira audição conquistou espaço na minha lista de "melhores do ano". Ouça aqui.

Ornitorrincos - Ornitorrincos 7''


A Ornitorrincos é simplesmente uma das melhores bandas de hardcore do Brasil atualmente, e nesse disquinho novo botou pra foder. Com um som meio Black Flag, meio Dead Kennedys, na melhor pegada old school, letras sarcásticas em portunhol e solos dissonantes, isso aqui não tem como não agradar qualquer fã do hardcore americano anos 80. Para pogar muito e fazer voar cerveja! Escute aqui.


Warkrust - Warkrust


E o ano terminou bem para a cena gaúcha com esse excelente lançamento de uma banda nova, formada por ex-integrantes de bandas como Gritos de Alerta, Distrato e Barulho Ensurdecedor. A Warkrust, como o nome próprio nome da banda sugere, faz um crust violentíssimo, com influências de Anti-Cimex, Doom, Disrupt, Discharge e Extreme Noise Terror, absolutamente monstruoso! Essa banda ainda vai dar o que falar. Ouça aqui.

Besta - Herege


Essa banda portuguesa de grindcore com influências crust foi responsável pelo lançamento do disquinho mais brutal desse ano, na minha opinião. "Herege" é pra nenhum fã de desgraceira botar defeito. Músicas rápidas, pesadas, sem frescuras, vocais guturais e rasgados alternando entre si, blast beats, riffs matadores e pra melhorar ainda mais temos até samplers do Zé do Caixão e um cover de Napalm Death! Não perca tempo e ouça essa pedrada aqui.

O Cúmplice/Gracias por Nada - Split 7''


Lançado pelo selo paulista Black Ember Records, esse split reúne duas das melhores bandas nacionais da atualidade: os paulistas d'O Cúmplice e Gracias Por Nada, de Brasília. De um lado, O Cúmplice manda seu crust caótico com muita influência de Black Sabbath e death metal old school, e do outro, o Gracias Por Nada, também crust, mostra um som mais trabalhado, seguindo aquela linha que costumamos chamar de "neocrust", de bandas como Tragedy, His Hero Is Gone e From Ashes Rise. Uma pequena mostra do que a cena underground brasileira tem para oferecer de desgracento, caótico, niilista e misantrópico. Ouça aqui e aqui.

Escuro - Escuro 7''
 

Mais um lançamento da Black Embers Records, o 7'' de estreia da Escuro também não poderia deixar de faltar nessa lista. Essa banda straight edge de São Paulo formada por membros e ex-membro d'O Cúmplice, Jesus Macaco, Discarga, Sick Terror e Decision, manda um hardcore direto e sem frescuras, ou seja, nada dessa palhaçada de youth crew, aba reta, XXL e afins. Além disso, vale prestar atenção nas letras, que tratam de temas bastante atuais e são muito bem sacadas, como "Viúvas da Ditadura" e "O Joio do Trigo". Ouça aqui.

V.A. - Não Somos Os Primeiros, Não Seremos os Últimos


Apesar de algumas polêmicas que se deram recentemente com algumas das bandas que participaram dessa coletânea e com alguns dos organizadores do projeto, esse disco não poderia deixar de estar aqui. "Não Somos Os Primeiros, Não Seremos Os Últimos" mostra o que há de melhor na cena paulista e acredito que seja um marco para o punk e hardcore nacional na atualidade, assim como a coletânea "Conspiração Coração Ao Contrário", que foi lançada em 2010 e já postada aqui no blog, e daqui alguns anos poderá ser equiparada à clássicos como SUB e Ataque Sonoro. Temos aqui 12 bandas das mais diferentes vertentes do hardcore/punk. Do powerviolence ao hardcore old school tradicional, do punk rock ao metal punk, passando pelo straight edge e até pelo post-hc e pós punk, é um registro sensacional que vale a pena ser sacado. Das bandas aqui presentes, destaco O Inimigo, Urutu, Sentenced, Futuro, La Revancha e Gattopardo. Ouça aqui.

Parte Cinza - Parte Um


Essa banda carioca que tem como frontman Cristiano Onofre, mentor dos Quadrinhos Mais Sujos da Face da Terra, manda o legítimo "emotional hardcore", com influências claras de bandas com Embrace, Fugazi, Jawbreaker e Rites of Spring. Canções simples, criativas e viciantes é o que temos aqui nesse excelente registro de estréia do Parte Cinza. Ouça aqui.

 Honorável Harakiri - Os Surdos Herdarão A Terra


Uma das coisas mais interessantes que surgiram em Porto Alegre nos últimos tempos foi a Mansarda Records, um selo virtual especializado em música experimental e improvisação livre. O selo só esse ano teve 25 lançamentos, incluindo este maravilhoso "Os Surdos Herdarão A Terra", do Honorável Harakiri, projeto de free jazz de Diego Dias (sopros, um dos donos do netlabel), Michel Munhoz (bateria, que também toca na Viruskorrosivus e ex-Damn Laser Vampires) e Márcio Moraes (guitarra). O que temos aqui é caótico, anárquico, uma destruição criativa só para os loucos, só para os raros. Ouça aqui e transcenda.

Reiketsu - Cinza


Depressivo, pesado, denso e agressivo. Essas são as palavras ideais para descrever o primeiro disco do Reiketsu, o sensacional "Cinza", uma das maiores pérolas do hardcore nacional desse ano. Seguindo a linha "neocrust" de nomes como Tragedy e His Hero Is Gone, bastante denso e pesado, a banda caprichou no debut. Ouça aqui.

Warcupid - Warcupid 7''


Projeto de crustcore composto de membros das bandas Living In Hell, Homicide e Disarm, com influências de Doom, Crude SS, Discharge e Anti-Cimex. Precisa dizer algo mais? Acho que não. Dê uma provinha aqui, se quiser ouvir o disco todo, terá que comprar a bolacha pela Terrötten Records mesmo. Mas olha, vale a pena! Para ouvir bêbado e destruir!


Violator - Scenarios of Brutality


O Violator já é há muito tempo um dos principais representantes do metal nacional. Mandando um thrash furioso, cheio de influências oitentistas, a banda já tem feito a cabeça de muitos bangers na América Latina. Confesso que nunca fui um grande fã dos primeiros trabalhos da banda, como "Violent Mosh" e "Chemical Assault", apesar de gostar deles, foi à partir do "Annihilation Process" que comecei a dar mais valor e a curtir mais o trabalho dos caras. E "Scenarios of Brutality" é, com certeza, o melhor disco da banda, e um dos melhores discos de thrash metal nacional em tempos. Com um som rápido e agressivo, a temática do disco gira em torno de temas políticos e sociais, denunciando abusos por parte das autoridades e crimes contra a humanidade, o que faz do disco de certeza ser além de o melhor o mais maduro do Violator, fugindo daqueles clichês do "mosh!" e "united for thrash". Ouça aqui

Mudhoney - Vanishing Point


Sou suspeito pra falar do Mudhoney, pois é uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos, certamente figurando num top 10. E esse disco foi por mim muito aguardado, pois já tinha ouvido uns sons antes em alguns vídeos de uma apresentação deles na rádio KEXP de Seattle e tinha pirado. Pois a espera valeu e tivemos este que na minha opinião é o melhor disco do ano. Temos aqui o bom e velho Mudhoney em 10 faixas irreverentes, sujas, diretas e sem frescuras. Do jeito que o velho gosta, do jeito que o velho quer! Não tem muito o que comentar, ouça aqui e delicie-se com mais uma grande obra dos mestres de Seattle!

Riistetyt - Korppien Paraati


Os mestres do hardcore finlandês estão de volta e mais pesados e agressivos do que nunca, e mostrando isso com essa patada na cara que é "Korpien Paraati". Misturando o hardcore de sempre com elementos de crust e metal e com uma produção impecável, esse é sem dúvidas o melhor disco crust do ano. O disco completo ainda não está disponível na net (eu tenho a minha cópia, que estou com pura preguiça de copiar pro PC e upar), mas podemos dar uma provinha aqui.

Blank Pages - Blank Pages


Essa foi uma das grandes estreias do ano. Filhos bastardos do Wipers com os Ramones, esse disco de estreia do Blank Pages, banda relativamente nova, de Berlim, é simplesmente sensacional. 10 faixas de puro tesão e paudurescência. Essa banda ainda vai dar o que falar, o disco é simplesmente maravilhoso. Ouça aqui.

Gas Rag - Demo Tape



Vindos de Chicago, o Gas Rag lança um hardcore podraço na linha Poison Ideia nos primórdios. Por enquanto, tem só essa demo tape totalmente lo-fi lançada pela Hardware Records, de 6 músicas, e poucos menos de 5 minutos, no melhor estilo "Pick Your King". Lindo! Ouça aqui.

Bl'ast - Blood


Esse disco na realidade é um remaster do segundo disco da banda, "It's In My Blood", de 1987, feita por ninguém menos que Dave Ghrol. Porém, a coisa ficou tão superior que parece até outro disco. Simplesmente SENSACIONAL! Só posso definir essa porra assim: uma espécie de Black Flag na época do My War, só que muito mais pesado, mais paranoico e mais crackudo. É daqueles discos que você ouve e sente raiva do início ao fim, aquela vontade desgraçada de quebrar todo e destruir as coisas belas que o rodeiam. Ouça essa merda aqui!

Boyz Nex' Door - Radio Honolulu


Presentaço de natal pra vocês! Venho procurando esse disco há anos, e finalmente o achei na internet. E acreditem, não é fácil de achar essa parada aqui não! E como sou um cara legal, e pra compensar a falta de posts também, venho trazer para o blog esta super raridade.

O Boyz Nex' Door foi uma banda italiana de punk rock com diversas influências rockabilly, surf e garage 60's. É como misturar Ramones com algum artista do submundo dos anos 50, como Ronnie Allen ou Hassil Adkins, com Ventures e Sonics! E tudo extremamente lo-fi, claro. Aí temos o Boyz Nex' Door!



"Radio Honolulu" é de 1998 e é o único full lenght dos caras, que além disso, gravou também alguns EP's e singles 7'' e um split 7'' com o The Manges, banda italiana de punk que teve um sucesso muito maior, diga-se de passagem. Não entendo os motivos do Boyz Nex' Door não ter ido pra frente, pois era uma ótima banda. "Radio Honolulu" é um dos melhores discos de rock 'n' roll dos anos 90, sem exageros. É a coisa no seu estado bruto, como tem que ser: sem frescuras, irreverente, sujo, porra louca, frenético, curto e grosso - nenhuma música aqui passa dos dois minutos.

Não tenho mais muito pra dizer, até porque não achei quase nada de informação dessa banda, que parece ser desconhecida até em seu país de origem, mas digo apenas que vale a pena o download dessa jóia rara do rock 'n' roll trasheira, altamente recomendada e indispensável! Baixe essa porra aqui e aproveite!

Mil vezes fazer do que aprender! - Entrevista com Daniel Villaverde


Daniel Villaverde é uma figura icônica no underground gaúcho. Vocalista da Ornitorrincos, dono do selo Punch Drunk e agitador da cena gaúcha desde os anos 90, o cara é um dos maiores entusiastas e conhecedores do underground nacional.

Recentemente, sua banda, Ornitorrincos, uma das minhas bandas favoritas daqui de Porto Alegre, lançou um EP em vinil 7'', de 5 faixas, que com certeza é um dos melhores lançamentos de hardcore do ano. Com uma pegada meio Dead Kennedys, meio Black Flag, e cantadas num portunhol bizarro, essas 5 cantigas do EP 7'' vão proporcionar ao underground gaúcho muito pogo e danças pitorescas em qualquer evento que a banda vier a se apresentar. A bagaça saiu em tiragem limitadíssima pela Punch Drunk Records e pelos selos argentino e europeu Ideas Venenosas e Crapoulet Records, 300 cópias apenas, que já estão quase esgotadas, mas pode ser ouvida de graça no bandcamp da banda. 

Aproveitando a ocasião do lançamento do disquinho, entrevistamos Daniel Villaverde e falamos sobre a banda, seu envolvimento com o underground, sobre o seu selo e diversas marotices. Confira!


Você já em um longo histórico no undeground gaúcho, tendo tocado entre várias bandas notáveis como a Scream Noise, Facão Três Listras e atualmente está tocando na Ornitorrincos, que está na ativa desde 2002 (apesar do hiato entre 2010 e 2012) e hoje tem um certo destaque na cena underground nacional. Como começou seu envolvimento com o underground e o hardcore e como?

Daniel - Com uns 7 anos eu comecei a escutar os vinis do meu irmão mais velho: discos de bandas gaúchas que estavam surgindo na época, como Defalla, TNT, Cascavelletes, Replicantes... Esse foi o meu primeiro contato mais direto com a música. Lembro que a primeira musica rápida, hardcore que eu escutei foi na coletânea "Rock Garagem II" o som "Todo Mundo Saca" do Atahualpa Y Us Panqui. Mas acho que a primeira vez que isso realmente bateu forte em mim foi com 14 anos, escutando o "Fresh Fruit..." do Dead Kennedys, quando um amigo que andava de skate comigo me emprestou. Virou minha cabeça do avesso. Comecei a me corresponder com bandas, fazer zines juntamente com o Gustavo Insekto (baixista da Ornitorrincos), meu amigo de infância. E tô nessa até hoje, por bem ou por mal, hehehe.

O que motivou você e seus amigos a montarem a banda? Quais são as principais influências? Qual é a razão ou motivo da maioria das músicas serem em "portuñol"?

Daniel - A gente notou que não tinha muita banda no Brasil tocando o velho hardcore old school no estilo americano, sempre piramos em bandas como Dicks, D.I, Black Flag, Reagan Youth, T.S.O.L, Germs, Void.... Só para citar algumas. O motivo de cantar em portunhol é porque achamos que o espanhol é uma língua forte para cantar. Gostamos muito de bandas que cantam nessa língua, como o Los Violadores e Massacre Palestina da Argentina, por exemplo. E outra razão é que com o proximidade geográfica e principalmente pela afinidade que temos com as cenas de países vizinhos achamos interessante cantar em portunhol, mesmo que alguns amigos "hermanos" não entendam, hehehe.

A banda permaneceu um tempo parada, entre 2010 e 2012, e vocês voltaram com nova formação. Quais foram os motivos desse tempo parados e o que motivou a banda para retomarem as atividades?

Daniel - Na realidade tivemos dois hiatos: a banda começou em 2002 e parou em 2003, porque Zé Ulisses, o guitarrista, foi morar em Curitiba. Quando ele retornou para Porto Alegre em 2007 retomamos as atividades. Ele saiu da banda em 2010 e voltamos a tocar em 2012 com o velho amigo Guilherme Gonçalves, que acompanha a banda desde o início. Decidimos continuar a tocar, porque é um saco ficar sem tocar, hehehe.


(primórdios...)


A banda recentemente lançou um EP 7'' com cinco faixas (que já esta à venda em Porto Alegre nas lojas Classic & Rock, Tamba Discos e Boca do Disco), e inclusive farão o show de lançamento do EP no dia 12 de dezembro no Signus Pub junto das bandas Viruskorrosivus e Campbell Trio. O EP teve boa recepção do público e já está cativando novos fãs. O que motivou vocês a gravarem este EP e qual foi a reação da banda com essa boa recepção que o disquinho têm recebido? Vocês já esperavam por algo do tipo?

Daniel
- Logo que voltamos a tocar decidimos fazer essas 5 músicas o mais rápido possível e gravar. O disco saiu tem menos de duas semanas e já vendemos muitas copias, tanto pessoalmente como pelo correio. Não esperavamos esse tipo de recepção. Restam poucas copias ainda, já que a maioria ficaram com os selos da Argentina (Ideias Venenosas) e da Europa (Crapoulet Records) que ajudaram a lançar. No show de lançamento vamos estar vendendo à preço promocional! Aproveitem!


Você organiza shows em Porto Alegre com certa frequência já faz um bom tempo, e antes disso já organizava shows em sua cidade natal Santo Antônio da Patrulha, era um fanzineiro ativo nos anos 90 e início dos anos 2000, chegou a ter inclusive loja de discos e fundou um próprio selo, a Punch Drunk Discos, ativo até hoje. Fale um pouco sobre isso tudo:
 
Daniel - Eu comecei a organizar show desde 1995 lá em Santo Antônio, simplesmente pelo fato de não ter shows lá na época: ou a gente morria de tédio, e ficava reclamando, ou a gente se mexia e fazia as coisas acontecerem. Foi o que a gente fez. Tive sorte de passar a minha adolescência numa cidade de interior. Talvez se tivesse morado em Porto Alegre desde novo, eu simplesmente apenas iria nos shows e não me preocuparia em produzir nada. Tive uma loja de discos lá entre 1996 e 1998. Na época o dólar estava baixo e trabalhava com importados, quando o dólar subiu tive que fechar a loja. Foi um bom aprendizado. A Punch Drunk começou em 2003, inicialmente para lançar a demo split do Facão 3 Listras/Garrancho em Lápide. Fui continuando e lancei alguns materiais em CD e vinil. Também lanço alguns discos virtualmente, sempre de bandas de amigos que admiro, tanto as pessoas como suas bandas.

Quais são as perspectivas da Punch Drunk para o futuro? Pretende ainda organizar shows, lançar discos? E quais são os planos da Ornitorrincos agora, depois do lançamento do EP? Fiquei sabendo que a banda fez algumas novas gravações recentemente...
Daniel - A Punch Drunk acabou de ajudar a lançar o novo EP 7'' dos ornitorrincos, não tenho planos para futuro lançamento agora, até porque meio que um lançamento paga o próximo.... Então tenho que terminar de vender as cópias que tenho comigo para lançar o próximo. Shows eu acho que nunca vou parar de organizar. É um vicio, adoro receber as bandas, hospedar o pessoal, mostrar a cidade, etc. Sinto prazer em fazer isso e poder ajudar... E a Ornitorrincos gravou 3 músicas que sairão em um split 7" com a banda francesa La Flingue, que estará em tour pelo Brasil em fevereiro e tocarão em dois shows com a gente aqui. Também temos 3 sons que vamos gravar para um split tape com os Renegades of Punk que sai até metade do ano que vem. Estamos compondo material para um disco inteiro, a ideia é começar a gravar na metade do ano e tentar lançar ele até fim de 2014. Vamos ver!


(Ornitorrincos e Renegades of Punk)

Além da Ornitorrincos, atualmente, você também tem outras bandas paralelas. Fale um pouco sobre algumas delas.

Daniel - Por enquanto na ativa só a Ornitorrincos mesmo. Eu costumava cantar na Podias Erpior, mas o nosso baterista, o Álcio esta morando no Rio de Janeiro agora, o que torna difícil ensaios e shows. Mas queremos seguir tocando. Tenho um projeto de garage 60's que tá na geladeira já tem um ano, espero voltar a ensaiar com ele em breve.

Recomende alguma(s) banda(s) ou disco(s) pra galera marota que acessa o blog.

Daniel - Vou falar o que tá rolando na minha vitrola nessas ultimas semanas:

Wire - "Pink Flag"
Monks - "Black Monk Time"
Modern Lovers - "Modern Lovers"
Black Flag - "In My Head"
Neon Piss - Neon Piss
Tristess - "Hog Lag Blues"
Youth Avoiders - "Youth Avoiders"
Gizmos - "Never Mind the Gizmos"
Nick Drake - "Pink Moon"
Big Black - "Songs About Fucking "
Zombies- "Odessey and Oracle"

Considerações finais: mande beijos, agradecimentos, deixe contato, algum recado aleatório, ou mande todo mundo ir tomar nas pregas. Espaço livre!

Valeu Maurício pela força! É muito bom ver pessoas jovens como você e o Rodrigo fazerem algo pela cena ao invés de ficarem se escondendo e reclamando pelo fecebook! Parabéns! Abração!



Ornitorrincos é:

Daniel Villaverde - Vocal
Guilherme Gonçalves - Guitarra
Gustavo Insekto - Baixo
Lucas Richter - Bateria

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